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Alexandre Ferreira – Designer de Interiores e Publicitário

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Área de Atuação: Design de Interiores

Cidade: São Paulo – SP

Postura Urbana: Você é Publicitário e Designer, em seu trabalho onde uma coisa se funde na outra?

Alexandre Ferreira: Como Publicitário pude perceber a dinâmica do mercado, assim como entender um pouco mais do consumidor e sua transição para cliente.  O Design entra então como a materialização de um objeto de desejo retirado desta captação “do  que é o cliente” e “quais são seus desejos reais localizados em seu subconsciente”.  Na verdade o processo de compreender a dinâmica do mercado e do consumidor está em nosso cotidiano, em tudo que fazemos. Vendemos nossa imagem como profissionais e também atuamos como consumidor no momento que adquirimos um bem de consumo.  Compreender esta lógica permite desenvolver projetos com mais facilidade ao cliente final, pois o processo de empatia e percepção adquiridos como publicitário nos permite chegar a um resultado satisfatório sem dar muitas voltas.

Postura Urbana: Hoje em dia tudo é muito comercial, você acha que a mídia está cada vez mais corrosiva por conta disso?

Alexandre Ferreira: Há um pouco de verdade nisso, porém a humanidade sempre foi muito comercial, a diferença hoje é que tudo está mais evidente por causa da globalização e a rapidez da informação através da internet. Corrosiva não seria a palavra, algo como “desafiadora” seria  mais adequado.  O público está muito mais exigente e  o produto deve ser muito mais do que uma imagem bonita. Hoje todos são críticos, todos possuem acesso as informações, uma palavra pode percorrer milhares de usuários de internet em segundos.  Desta forma a mídia torna-se desafiadora, para com seu público,  e agressiva para  com seus concorrentes.  A qualidade passou a ser fator chave para o sucesso de qualquer empresa.

Postura Urbana: Fale um pouco como é ser professor:

Alexandre Ferreira: A área acadêmica sempre me atraiu, e foi uma descoberta pessoal entrar em uma sala de aula na visão de um educador.  Aprendo muito todos os dias, a troca de informações , aluno x professor, é fundamental pois cada um trás sua peculiaridade para acrescentar  tanto profissionalmente como também no caráter humano.   O Senac me proporcionou a experiência de realizar-me como docente, tenho muito a agradecer, pois não há benefício maior do que ver a evolução de um aluno, que mal sabia desenhar um traço no papel, projetar tecnicamente com aptidão e criatividade.  Sigo uma linha de pensamento um tanto quanto piegas, pois para mim um professor trabalha mais do que a informação, trabalha também a autoestima, confiança e descoberta do aluno.

Postura Urbana: As mostras de Design de Interiores já há algum tempo estão propondo ambientes sustentáveis, realmente são sustentáveis ou isso é jogada de marketing para vender produtos?

Alexandre Ferreira: Para falarmos de sustentabilidade devemos lembrar que o Brasil sempre foi um país de gastos excessivos e pouco planejamento,  justamente por sermos privilegiados quanto a terra produtiva, o clima ,  entre outros fatores.  Outros países passaram por guerras devastadoras, aprenderam a duras penas comer o que jogamos fora, passam por desastres naturais que dizimaram cidades inteiras, frio e calor intenso, etc ,e já passaram por um processo (lento) de reeducação para se tornarem mais adequados ao meio ambiente.  Porém, como tudo tem um começo meio e fim nossa população começou também a sofrer pelas suas extravagâncias.  A sustentabilidade pode até parecer uma jogada de marketing ou determinar status, mas sem querer parecer politicamente correto, a sustentabilidade é hoje uma necessidade.  Ela sempre esteve presente mas pouco difundida. Agora os recursos naturais esgotaram ou estão por um fio. Como o Brasil, outros países também abusaram da sua “riqueza natural” e hoje estão carentes. O Consumismo foi desenfreado e agora todos estamos no mesmo barco.  A reeducação global, por um planeta mais sustentável, é necessidade e não mais  status ou puro marketing. Infelizmente , ou felizmente, não temos mais escolha.

Postura Urbana: Qual a melhor  e a pior parte de lidar com um cliente?

Alexandre Ferreira:  A pior parte é lidarmos com nós mesmos.  Temos que entender que existem diferentes tipos de comportamentos, atitudes, caráter.  Lidar com clientes significa ter jogo de cintura para passar por situações variadas.  Lembro-me certa vez de um cliente que surtou, esbravejava, fiquei mais de vinte minutos escutando suas agressões verbais, para no final ele me contar que estava com problemas pessoais, de saúde.  Simplesmente desabafou. Ao concluir a conversa ele me abraçou e fechou negócio uma semana depois.  Qualquer profissão que lide diretamente com o cliente também tem que ter o lado “psicólogo” (sem desmerecer os colegas profissionais da área), ver além do projeto ou produto, entender que do outro lado também tem um ser humano.  Este jogo de cintura é um pouco difícil quando também lidamos com nossos próprios problemas, por isso temos que trabalhar nosso equilíbrio emocional constantemente.  E sem dúvida a melhor parte é ver o brilho de satisfação do cliente ao adentrar a sua residência ou comércio, de receber o projeto dos seus sonhos e vê-lo materializado. É algo impressionante e a parte mais gratificante do trabalho.

Ale, o Postura Urbana agradece a entrevista, parabéns pelo trabalho. Sucesso!!!

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