Publicado em Música!!!

Rafael Rezek – Músico

Área de Atuação: Entretenimento

Cidade: Cristina -MG

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Postura Urbana: Como começou sua paixão pelo samba?

Rafael Rezek: Minha paixão pelo samba começou quando tinha uns 9… 10 anos, eu fazia capoeira e o som dos atabaques, pandeiros e berimbaus me fascinavam, aquele batuque era contagiante. Um dia peguei um disco de vinil da minha mãe, da Clara Nunes, e comecei a ouvir. A primeira música era Canto das Três Raças, uma versão bem batucada e com palmas que me lembrava a capoeira. Depois disso só comprava discos e CD’s de samba, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Fundo de Quintal e outros que estavam na crista do sucesso por volta de 1993. Aos 14 anos comecei a frequentar rodas de samba com um grande amigo, violonista, cavaquinista e bom cantor, Jorge Alonso. Ele morava em Rio Preto SP e sempre que vinha para Cristina fazíamos rodas de samba no extinto Bar do Boêmio e nos quintais das casas de amigos. O Jorge sempre me chamava, pois, apesar da pouca idade eu sabia cantar muitas músicas de cor, sempre tive facilidade para decorar as letras. Era comum ouvir as pessoas comentando nas rodas: “Nossa! Esse menino sabe essa letra do Noel Rosa?”. Depois dos 20 anos, passei a pesquisar o gênero e estudar mais sobre os sambistas da primeira metade do séc. XX, como Noel Rosa, Cartola, Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues, Clementina de Jesus, Candeia, Ismael Silva, Velha Guarda da Portela e por aí afora. Com isso eu fiquei mais apaixonado ainda pelo samba.

Postura Urbana:    Você participou de grupos de samba?

Rafael Rezek: Em 2005, morando na cidade de Itajubá, também Sul de Minas, passei a frequentar as rodas da cidade, até encontrar o que seria o primeiro grupo de samba do qual faria parte, o Confraria do Samba. Em 2009, por motivos profissionais, me afastei do grupo e passei somente a fazer algumas participações em determinados eventos e rodas de samba, foi quando conheci um projeto muito bacana de um grupo de universitários que tocavam samba rock, Black e Soul, a banda SoulGood, e também fiz algumas participações com esse grupo em eventos e shows. Desde 2009 participo do Carnaval de Cristina cantando marchinhas de carnaval com músicos da cidade e região, formando a Charanga Santo de Casa. Em novembro de 2012, conversando com um violonista amigo meu, Guilherme Goulart, ele me falou de um projeto seu, os Escravos da Alegria, que já havia tido uma formação, feito algumas apresentações, mas que havia fracassado e estava adormecido. Falei pra ele: Vamos retomar o grupo. Convidamos alguns músicos que toparam abraçar o projeto e hoje estamos na ativa, fazendo apresentações na região do Sul de Minas e interior de SP. O grupo é formado por Guilherme Goulart (Voz/Violão), Willian (Voz/Cavaco), Carlos Sorriso (Surdo/Voz), João Fonseca (Pandeiro), Gil Guta (percussão), Coelho (Flauta) e Rafael Rezek (cuíca/voz).

Postura Urbana:     Vc é jovem e faz um trabalho de resgate ao samba antigo, fale sobre isso:

Rafael Rezek: Quando eu e Guilherme conversamos sobre a volta dos Escravos da Alegria, tínhamos uma proposta a seguir, fazer o resgate da cultura do samba, decidimos fazer isso através de montagens de Tributos a sambistas que muito contribuíram para o fortalecimento do gênero, como por exemplo: Cartola, A Sorrir Eu Pretendo Levar a Vida, um espetáculo montado em homenagem ao grande mestre Cartola, apresentado em Cristina MG e Itajubá MG, com ótima aceitação do público, inclusive o público jovem. Os tributos são montados com as principais músicas do homenageado e sua história é contada em texto falado entre uma música e outra. Além das homenagens aos grandes sambistas da velha guarda, o formato das apresentações também remetem ao passado. Em nossas apresentações, geralmente, fazemos uma roda no meio do público com os músicos sentados ao redor de uma mesa e as pessoas em volta, batendo palmas e cantando com a gente, como acontecia no passado. Isso também tem sido muito aceito pelo público, principalmente da nossa região, Sul de Minas, onde o samba não é o gênero preferido mas vem ganhando adeptos há alguns anos. Essa é a proposta do grupo Escravos da Alegria, que, apesar de jovem como alguns integrantes, tem também músicos com mais de 25 anos de estrada.

Postura Urbana: Na sua casa, todo mundo é bamba, todo mundo bebe e todo mundo samba? (Rsrs)

Rafael Rezek: Meu primeiro contato com o samba foi sim dentro de casa, apesar de não haver nenhum músico na minha família. Mas sempre houve bom gosto musical, paixão por festas como  o Carnaval e rodas de samba. Com minha mãe que sempre ouviu Clara Nunes, João Bosco, Chico Buarque, Adoniran Barbosa. Meu pai que sempre assoviava uns sambas bem antigos e depois com o tio Silvio, que também é um apaixonado por samba e me presenteou em uma ocasião com uma coleção fantástica de 40 CD’s e fascículos contando cronologicamente a história do samba. Respondendo a pergunta por completo (risos), a turma lá em casa gosta de “uns goró” sim, adoram samba, tenho três primas que são terríveis quando ouvem um samba. E agora tem a Clarinha, minha sobrinha de 2 anos que já canta Trem das Onze e nos carnavais sobe no palco da praça para sambar, não sei com quem ela aprendeu isso. (rsrs).

Postura Urbana:  Quais instrumentos vc toca?

Rafael Rezek: Sempre gostei de um batuque, adoro som de tambores… um “Tum,Tum,tum”.  Toco cuíca, ganzá, chocalhos, pandeiro, tantan, apito e tamborim.

Postura Urbana:  No samba atual quem está fazendo a diferença?

Rafael Rezek: Tem muita gente boa aparecendo atualmente para o mundo do samba, mas como o samba, hoje, não é o gênero que mais dá lucro para as gravadoras, estes novos talentos são pouco conhecidos do público e mídia. Quem vem fazendo a diferença atualmente: Diogo Nogueira e seus compositores Ciraninho da Portela, Rafael dos Santos e Leandro Fregonesi, um trio carioca que tem composições muito ricas em melodia e letra e são gravados pelo próprio Diogo, Beth Carvalho e Alcione. Destaco também a Tereza Cristina, cria da Lapa, ótima compositora e cantora. A mineira Aline Calixto, que tem uma voz espetacular e uma presença de palco que encanta, lembra muito a Clara Nunes, com seus movimentos no palco. Da Terra da Garoa destaco o grupo Quinteto em Branco e Preto com ótimos arranjos percussivos e composições próprias de muita qualidade, Dora Vergueiro, compositora e cantora, filha do grande Carlinhos Vergueiro, Fabiana Cozza com sua voz de veludo e gestos emocionantes nas apresentações. De Campinas interior de SP, a galera do Núcleo do Samba Cupinzeiro, projeto maravilhoso dos talentosos Edu de Maria e Anabela. A Nortista radicada no RJ Roberta Sá. Renato Milagres e Juninho Thybau, sobrinhos do Zeca. João Martins, cantor e compositor de letras inteligentes, já com 2 CD’s gravados, comanda rodas de samba pelo Rio afora. O já famoso grupo Casuarina, também fruto da Lapa, com ótimos CD’s e composições de qualidade. A voz contagiante e o batuque de Marcelinho Moreira, recentemente lançou o ótimo trabalho Fé no Batuque. Bons compositores, grupos e cantores.

O Postura Urbana agradece a entrevista Rafael, parabéns pela iniciativa de resgatar não só o samba, mas sim parte da cultura brasileira, e apresentá-la a nova geração. Sucesso!!!

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