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O Balaio da Gata

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Na tarde dessa última 5ª feira(26/06), estive no Balaio da gata Ateliê, num clima bem descontraído encontrei as sócias Telma Pieroni e Simone Berta, o espaço é aconchegante, recheado de peças lindas desenvolvidas pelas amigas, está bem localizado no delicioso bairro da vila madalena aqui em São Paulo.

Telma Pieroni e Simone Berta são artesãs, publicitárias, empresárias e empreendedoras,

Telma desenvolve um trabalho com caixas artesanais e ministra cursos de pintura, Simone desenvolve um trabalho com cerâmica e ministra cursos de tarot, ambas pintam quadros.

Com água e cafezinho feito na hora, conversamos sobre arte, família, trabalho, política.

A alta cobrança de impostos, e a desvalorização da mão de obra artesanal, seja por parte do governo, seja pelo próprio público brasileiro que está acostumado a valorizar a arte que vem de fora, ainda que essa arte, seja medíocre, o que fazemos por aqui é visto como pobre, relataram Telma e Simone. E ainda teve a doce companhia do lindíssimo Arthur, um gato preto de olhos verdes, adorei.

http://www.obalaiodagata.com.br/

 

Confiram a entrevista:

 

Imagem Telma e Simone

 

arthur o gato

Arthur em meio a pintura em tecido

Postura Urbana: Como vocês se conheceram?

Telma: Eu tinha um ateliê na z. Norte, na casa verde, não tinha a localização adequada, a Simone tinha uma loja de decoração na pompéia, passei por lá, entrei, conheci o trabalho dela e criamos um laço de amizade.

Simone: Conversa vai, conversa vem, nos interessamos pelo trabalho uma da outra e resolvemos nos juntar, assim nasce O Balaio da Gata.

Postura Urbana: De onde vem a inspiração de vocês?

Telma: Emoção, trabalho com foco na encomenda, lembrança do passado, história, energia positiva, sou intuitiva, inventiva, crio peças de tiragem única, quando inicio um trabalho aproveito minha criação e o executo até o fim.

Simone: Inspiração, elaboro pesquisa, dou vazão a minha intuição, visualizo a imagem, desenho e depois a executo, meu estado de espírito me influencia, quando estou bem as coisas fluem.

 

Postura Urbana:  No Brasil a arte é tida como ELITISTA, o que acham disso?

Telma: Isso vem da educação, inserir arte na educação primária, já trabalhei com arte educação em creches, asilos, Ongs, isso me completa, herdei essa característica de minha mãe, ela era professora de Educação Física e foi diretora de um centro carente, na época não se falava em comunidade, pessoas de baixa renda sem acesso a educação eram tidas como “desocupadas’, nesse centro haviam atividades de esporte e corte e costura e a única exigência era ir bem na escola, ter boas notas; quando ela faleceu, muita gente veio me falar, que graças a ela, tiveram a chance de se tornar alguém na vida (nesse momento Telma se emociona), essas pessoas saíram da estatística de se tornarem de fato desocupados ou bandidos. Temos que dividir o que sabemos, na verdade precisamos de pouco para viver bem.

Simone: No Brasil há muito Projeto Social, falta divulgação, falta interesse por parte dos governantes, vem um cara de fora, com uma arte meia boca, mas por ser estrangeiro vira referência. O Trabalho manual é mal visto, a Educação desde cedo viabiliza um outro olhar sobre a ARTE, estive em um museu de Nova York e vi crianças pequenas na faixa de 6 anos que eram guiadas e aprendiam sobre cada obra que ali estava exposta, quando se cresce em um ambiente que te dá recursos, a valorização artística se dá naturalmente.

Postura Urbana: No mercado comercial há uma conduta de que o “CLIENTE” tem sempre razão. Como vocês enxergam o cliente? O que é ele pra vocês?

Telma: Eu o respeito e aviso que sua ideia pode não ficar boa se executada da forma que está pedindo sem um paralelo intuitivo/artístico, mas se ele insistir eu faço, mas não gosto desse tipo de trabalho. Porém o cliente que chega até nós, já sabe o que quer, nos dá a liberdade de criar, originalidade é nosso foco, criação de peças atemporais, que ao serem entregues levam junto uma sensação gostosa.

Simone: O cliente que nos procura, já chega com um ideal, geralmente são pessoas que tem um trabalho voltado para a arte, ou entendem esse universo. Buscam um diferencial, estão preocupados com a qualidade do trabalho.

Postura Urbana: O Balaio é uma casa que vende peças para decoração e presentes, como é essa questão, na família ou ciclo de amizade de vocês, as pessoas tem essa preocupação quando vão presenteá-las?

Telma: (Risos), sim, mas geralmente me falam: Eu não sei o que te dar, você já tem de tudo, acho que quando alguém pensa em nós para dar um presente, existe um carinho, então quando recebo algo de uma pessoa percebo esse agrado, geralmente recebo flores naturais, perfume, sou uma pessoa que gosta de tudo, não é difícil me presentear.

Simone: Presentear é uma surpresa, é a dedicação que alguém teve de seu tempo para conosco, ouço que sou estrela, que sou fashion,(risos) em geral recebo presentes místicos, as pessoas sabem que gosto desse universo.

Postura Urbana:  Na família de vocês tem mais artistas?

Telma: Na minha não, meu marido é engenheiro e um de meus filhos também, o outro optou por jornalismo, mas quem faz arte mesmo sou eu(risos), porém minha avó era bordadeira.

Simone: Na minha eu sou o único ET (risos), meus filhos e marido são médicos, apesar que essa veia artística vem de meus avós, eles participavam do clube do livro, minha avó era atriz e cantava, com meu avô aprendi a gostar de música clássica.

Postura Urbana:  Como definem o trabalho de vocês?

Telma: Emoção e carinho.

Simone: Intuição e dedicação.

Postura Urbana: Falando em empreendedorismo, qual a maior dificuldade?

Telma: Profissionalização, sou inscrita no Mei (Micro Empreendedor Individual), as questões administrativas são bem chatas, tenho um contador, mas sou eu quem acompanha os relatórios de custos, mas apesar de dar trabalho é a garantia da seriedade de minha atividade comercial.

Simone: Existe a discrepância do artista com o administrador, mas é necessário, boa parte do lucro vai nos impostos, são muito altos, e quando se coloca preço em uma peça, tem gente que acha caro, não valoriza, vai na 25 de março compra peças infinitamente baratas, é desleal concorrer com peças extremamente populares, porque o trabalho artesanal fica em segundo plano, torna-se somente caro, mas por trás há todo um cuidado.

Postura Urbana: E o que diriam para quem está começando?

Telma:  Vá atrás de seu sonho, lute, corra, invista.

Simone: Não é um segmento fácil, mas vale a pena, acredite em seus ideias.

Postura Urbana: Sabemos que no mercado tradicional há muita disputa, e falsidade, como se dá essa questão no universo artístico?

Telma: O mercado artístico é muito parceiro, não senti isso, há uma troca de ideias. Mas, tem pessoas que criam e não divulgam suas peças por medo de cópia, isso é bobagem, quem quiser copiar que seja feliz, eu sei de minhas qualidades, fomos muito bem recebidas pelos comerciantes aqui na vila madalena.

Simone: O meio artístico é sociável, conhecemos pessoas, aprendemos e ensinamos. As pessoas aqui na vila madalena são muito acolhedoras (comerciantes), existe uma relação de carinho, já tive loja em outro bairro aqui em São Paulo e o relacionamento era muito diferente, distante.

 

Imagem Quadro de Telma Pieroni

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Vela e caixas criadas por Telma Pieroni

Imagem Telma e suas artes

 

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Cerâmica de Simone Berta

Imagem Quadro de Simone Berta

Imagem Simone  e Arthur(o gato)

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Simone, Telma e Bel (Equipe O Balaio da Gata)

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Simone, eu e Telma

Meninas, foi um prazer conhece-las, passar uma tarde aí com vocês, o Postura Urbana agradece a entrevista, SUCESSO!!!

 

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O Balaio da Gata

R. Original Nº 131

Vila Madalena – São Paulo – SP

Tel:3871-0328

 

Por: JGA

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