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O que você sabe sobre o trabalho de Doula?

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Larissa Queiroz — Mãe, doula, produtora cultural e gestora de projetos, Larissa utiliza metodologia única em seu trabalho: “o amor e a leveza da vida”.
Cidade : São Paulo

1 – Muita gente ainda não sabe o que é uma Doula, por favor descreva.

A doula é uma profissional treinada que oferece apoio físico, emocional e informacional a gestante durante a gestação, o trabalho de parto e no pós-parto.

2- O parto humanizado é benéfico, porque é pouco divulgado?

Na verdade, estamos desmistificando o parto humanizado. Ele não é um tipo de parto, propriamente dito, mas sim a forma como ele é conduzido pelos profissionais e como serve à mulher. Quando falamos em “atendimento humanizado” queremos dizer que a mulher será a protagonista do seu parto, sendo informada e cuidada à todo momento para que possa viver a experiência do seu parto com segurança e tranquilidade. Esse tipo de relação entre os profissionais do parto e a mulher, mais forte, com mais vínculo e atenção é oposto do que vemos nos consultórios dos planos de saúde. É preciso tempo para um atendimento humanizado e é isso o que os médicos convencionais menos têm. Mas acredito que estamos num movimento acelerado de conscientização sobre este tema e que vamos avançar daqui pra frente.

3- Muitas gestantes tem uma visão de que a cesária é a melhor forma de parir pois não sentirão dor, vc acha que isso se deve a falta de informação?

Com certeza! Na verdade, o atendimento ao parto normal em muitos hospitais é bem precária, levando as mulheres a sofrerem diferentes abusos, que chamamos de violência obstétrica. Ocorre por meio de palavras ofensivas (quando as enfermeiras gritam que a mulher não reclamou na hora “de fazer o filho”, por exemplo), por meio do impedimento de movimentação, por não permitir a entrada de um acompanhante, mesmo isso sendo uma lei, por não permitir à mulher de beber água ou se alimentar. Com tanta agressão, quem quer passar de 10h a 12h num ambiente hostil desses para parir?

Outra questão importante é a pressão dos médicos para que as mulheres façam a cesariana. É um procedimento de alto risco que aumenta de forma significativa a mortalidade materna e a prematuridade dos bebês, porém é rápido, e os planos de saúde pagam os mesmos valores para o atendimento a parto normal e a cirurgia cesariana. Logo, mesmo que as mulheres queiram o parto normal, podem encontrar dificuldades em encontrar um médico que possa atendê-la.  As novas regras da ANS(Agência Nacional de Saúde) podem ajudar neste caso, pois o médico não poderá fazer a cirurgia sem um laudo que confirme a decisão e, caso a mulher realmente escolha passar pelo procedimento, ela terá que pagar do próprio bolso pela cirurgia. Sobre a dor, eu acredito ser um grande mito quando dizem que “quem faz cesariana não sente nada”. É uma cirurgia de grande porte que corta 7 camadas da nossa pele. É impossível não sentir nada…

4- E os homens? Maridos, namorados, companheiros, como eles veem a Doula?

A doula é uma grande parceira do casal, na verdade. A proximidade com a mulher é grande porque ficamos por perto o tempo todo fazendo massagem, ajudando no banho, ajudando com os movimentos. Mas com os companheiros ajudamos em outros termos, ora conversando e acalmando, ora ensinando movimentos para eles fazerem juntos durante o trabalho de parto. Muitos casais querem ficar namorando durante este momento, se entregando um ao outro, pois o momento pede essa troca intensa mesmo. Quando isso acontece nós ficamos em algum outro local da casa ou do hospital, fazemos um lanche, descansamos e depois retornamos quando a mulher solicitar. Aprendemos a lidar com todas as situações de maneira bem sensível. É este o nosso trabalho.

5- Mesmo com o acompanhamento de uma Doula, se o parto precisar de intervenção cirúrgica, qual o procedimento a ser tomado?

Nós doulas, não fazemos o parto. Nosso trabalho é acompanhar a mulher, mas não podemos fazer nenhuma intervenção médica. Quando a mulher opta pelo parto normal ou natural, o profissional que faz este atendimento é a enfermeira-obstetriz, a parteira, ou o médico obstetra. Se a mulher estiver sendo atendida pela parteira, e esta avaliar que será necessário um procedimento cirúrgico, a mulher será encaminhada para o médico, no caso de partos domiciliares,  quando nos preparamos para o parto junto com a mulher, fazemos um planejamento de médicos e hospitais que possam prestar este atendimento caso ocorra alguma intercorrência. Diferente do que muitas pessoas pensam, os partos domiciliares acompanhados por parteiras e doulas são planejados de forma muito segura e são realizados apenas em gestantes de baixo risco.

6- Onde se formam as Doulas?

Hoje a demanda de cursos de formação de doulas cresceu bastante e os vemos por muitas cidades dos Brasil. Aqui em São Paulo eu me formei no GAMA – Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, na Vila Madalena.

7- Conte sobre seu parto.

Minha jornada de parto foi muito emocionante! No comecinho da minha gravidez eu conheci o trabalho da parteira Ana Cristina Duarte e foi ela quem me atendeu por toda gestação. Minha gravidez correu sem nenhum problema, meu filho era um feto super saudável e planejamos um parto domiciliar. Quando estava com 40 semanas e 4 dias de gestação a minha bolsa rompeu, mas eu não entrei em trabalho de parto. Fiz acupuntura para estimular as contrações, que é um método de indução não-farmacológico muito usado em partos naturais e elas começaram no dia seguinte. Na época, eu morava no pé do Pico do Jaraguá, o ponto mais alto de São Paulo e mais frio também. Em pleno inverno, tive bastante dificuldade em manter as contrações em ritmo em casa e decidimos ir para o hospital para tentar uma indução com ocitocina sintética. Depois de 48h de trabalho de parto, meu filho teve uma alteração nos batimentos cardíacos e decidimos pela cesariana. Todos me perguntam, quando eu conto esta história, por que eu defendo tanto o parto normal já que o meu filho nasceu por meio de uma cesariana. Eu respondo que a cesariana é uma medida de emergência e não um primeiro plano para o nascimento de uma criança. Ela salvou a vida do meu filho quando todas as alternativas para um parto normal foram esgotadas. E todos os procedimentos foram pensados com cautela, com meu total envolvimento em todas as tomadas de decisão. Eu posso dizer que eu fui protagonista no meu parto e hoje eu trabalho para que todas as mulheres possam viver os seus partos com plenitude e empoderamento também.

8- Como os hospitais avaliam o trabalho das Doulas?

É uma relação delicada entre hospitais, médicos e doulas. Muitos ainda veem o nosso trabalho como um atraso na rotina hospitalar, como uma intromissão. É um esforço da nossa função tentar amenizar esse choque e mostrar que trazemos muito mais benefícios ao ambiente hospitalar do que problemas. Mas isso só mudará, mudando toda uma série de procedimentos. Alguns hospitais permitem a nossa entrada, mas não permite que entremos com nenhuma bolsa ou material de trabalho, que são nossas toalhas, óleos de massagem, bolsa térmica. Não faz sentido…

9- E na rede pública há Doulas?

Sim, há doulas voluntárias atuando na rede pública, como no Hospital Amparo Maternal e na Maternidade Cachoeirinha. Mas muitos outros poderiam implementar esta política de ter doulas nos quadros de atendimento. Quem sabe daqui há alguns anos…

10 – Como é feita a  contratação e cobrança do trabalho?

Sobre a contratação: a mulher pode contratar uma doula em qualquer período da gestação. São combinadas algumas visitas, se houver tempo hábil, para tratar de alguns assuntos importantes como fazer o plano de parto, falar sobre os procedimentos hospitalares, as fases do parto etc. Caso a doula seja contratada bem perto do período do parto, nós adaptamos o acompanhamento e focamos no trabalho de parto. Algumas doulas são especializadas em acompanhar somente o pós-parto, oferecendo apoio psicológico e ajudando com a amamentação, por exemplo.

Sobre a cobrança: os valores são diferenciados, cada doula cobra considerando critérios diferentes como a distância até a casa da gestante, se o atendimento será integral ou parcial, se está começando ou já é bastante experiente. Aqui em São Paulo, a média é R$ 600,00 a R$ 1.200,00 por acompanhamento.

Depoimento de Barbara Ferreira, mãe do Pedro  que teve o acompanhamento da Doula Larissa:
“Durante a minha gestação, Deus colocou a Larissa no meu caminho. Um anjo iluminado que com amor a sua profissão veio com todo jeito e sabedoria, me preencher e encorajar a não desistir . Sim uma Doula, parte essencial de uma gestação, que com dicas , conselhos, foi uma amiga, psicóloga, mãe e me orientou semana por semana, acalmando as minhas aflições e anseios da gravidez .”
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Estive em uma roda de gestantes no mês passado, a forma como a Larissa conduz as atividades é muito solta e a forma como esclarece as dúvidas é muito sincera… Parabéns Lari, seu trabalho só tem a acrescentar.
Para quem quiser participar das Rodas de Gestante acesse a página da Larissa no facebook, os encontros acontecem a cada 15 dias no
Instituto Inovação Sustentável – Rua Moxei, 96 – Lapa de Baixo, aqui em Sampa.
O Postura Urbana agradece a entrevista! Sucesso
Por JGA
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