Publicado em Tag -Entrevistas

Poetizando com Zé Vicente!!!

 

ze-vicente-4

José Vicente de Lima, 61 anos de idade, nasceu na zona leste de São Paulo (São Miguel Paulista), trabalha como escriturário na Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Platina PR há 28 anos e não tem formação acadêmica. Se interessou pela arte ainda muito jovem quando percebeu o dom para o desenho a pintura e a escultura, que foram seus passatempos durante muitos anos. Começou a escrever poemas na década de setenta, influenciado pelo estudo dos textos de escritores e poetas nas aulas de português. Vem postando textos nas redes sociais desde 2011 e tem poemas publicados em coletâneas e blogs, mas não tem livro editado até o momento. Colabora com movimentos culturais desde os anos oitenta e faz o resgate de um desses movimentos em uma página da qual tem o domínio (Viva MPA). Por não ter nenhuma pretensão comercial ou artística, pode trabalhar sua criatividade livremente, sem no entanto, descartar a possibilidade de ter parte de sua obra publicada fisicamente num futuro próximo. É também pesquisador de música e amante da fotografia, hoje seus principais passatempos, mas é na poesia que melhor expressa os seus pensamentos, sua filosofia e a sua visão do comportamento humano e dos acontecimentos do mundo atual.(Release escrito pelo próprio Zé).

Zé Vicente é aquele tipo de pessoa que cativa pelo jeito de ser, tem um carinho para com os amigos, é um homem de bem com a vida e escreve coisas lindas.

Quase
Esse quase constante
Deprime,
Mata perspectivas,
Coloca objetivos
À deriva,
Corrói o orgulho,
Muda o sentido do otimismo,
Força a consciência
De que o certo
Nem sempre é ser bom,
E que a sorte
Nunca segue caminho reto.
O caráter,
Figura de retórica,
É lembrado na hipocrisia
E a filosofia
Não permite o riso,
Assim como as contas
Não são pagas
Pela ideologia.
O distraído acha o tesouro
Sem mapa
E o tolo quase sempre
Sente o êxtase do prazer
Enquanto o consciente
Tropeça nas palavras
E é obrigado a questionar
Suas certezas.
As coincidências
Não ajudam os justos
E as sinas, invenções religiosas,
Maquiam o azar
O quase
Sempre à margem do tempo
Insiste em estampar frustrações
E mostrar egos em espelhos
Que não refletem
A vontade da carne
Os tiros pela culatra
Ecoam pelas almas
E as frustrações se multiplicam
Enquanto a vida segue
O caminho entre muros
Não tem retorno
E a verdade reflete o erro.
Quando dá tempo de cansar
Muda-se o lado
Mas sé já for tarde
Cai-se no anonimato
Recolocar as pedras no tabuleiro
É necessário
Mas a vida não é um jogo
Quando foi ver,
O tempo já passou
E nem a esperança da volta
Justifica o que se perdeu. (Zé Vicente 24.06.2013).

A seguir, entrevista:

Postura Urbana – Você gosta de cultura de um modo geral, quais são suas inspirações?
Zé Vicente – Penso que a cultura é um alimento fundamental para a alma e para a evolução do ser humano. Tudo e todos aqueles que de alguma maneira se envolvem na produção desse alimento de forma direta ou não, me inspiram.

Postura Urbana – Qual sua formação?
Zé Vicente – Não tenho formação acadêmica. Apenas O ensino médio.

Postura Urbana – Como começou a fazer poemas?
Zé Vicente – No início dos anos setenta, influenciado pelos professores de português que na época, ensinavam a gramática baseando-se no estudo de textos de poetas e escritores, principalmente brasileiros, me identifiquei com essa arte e comecei a escrever e guardar poemas, que só depois de muitos anos tive coragem de mostrar. Ainda guardo alguns dessa época que até hoje não foram lidos. De 2011 pra cá venho publicando poemas nas redes sociais.

Postura Urbana– Como define seu trabalho?
Zé Vicente – Meu trabalho poético é totalmente livre. O fato de não ter formação acadêmica me dá liberdade para não seguir regras. Eu não componho poemas, nem me preocupo com rimas, regras ou métricas. Só escrevo o que me vem à cabeça nos momentos de inspiração.

Postura Urbana – Quem são seus ídolos na literatura?
Zé Vicente – Eu nunca me permiti idolatrar qualquer ser humano. O que dedico a pessoas que tem talentos especiais em qualquer atividade é a minha admiração e respeito, sejam elas reconhecidas ou não. Fui influenciado por vários poetas e escritores durante toda a minha vida, mas entre os que mais me marcaram estão Augusto dos Anjos, Charles Baudelaire, Machado de Assis e Jorge Amado.

Postura Urbana – Pode-se dizer que um poeta lê de tudo?
Zé Vicente – Depende do sentido. Eu, particularmente penso que não. Para o poeta, banalidades não interessam e é isso que mais se vê nos dias atuais. Pessoas escrevendo coisas idiotas para leitores medíocres. Infelizmente.

Postura Urbana -O que você não Lê de jeito nenhum?
Zé Vicente – Qualquer publicação que acompanhe o dia a dia e a vida de celebridades porque não tenho o menor interesse.

Postura Urbana – Financeiramente falando, você faz parte de algum projeto de incentivo a artistas?
Zé Vicente – Não.

Postura Urbana – Qual sua opinião sobre a lei Rouanet?
Zé Vicente – Uma lei criada com boas intenções, mas que, utilizada por mãos erradas para troca de favores, política e pagamentos indiscriminados, tem hoje o seu nome manchado e dificilmente irá recuperar a credibilidade. A lei em sí, é necessária para o desenvolvimento e incentivo à arte e ao artista desse país.

Postura Urbana – Musicalmente falando, o que massageia seus ouvidos?
Zé Vicente – Meu gosto musical é extenso e variado porque eu pesquiso música desde muito jovem. Existe música boa em quase todos os estilos e eu não discrimino, apesar do meu gosto especial pelo rock, que é o que mais escuto. Para citar nomes, um exemplo do que massageia e sempre massageou meus ouvidos é a banda Jethro Tull, mas tem também Caetano Veloso, Miles Davis, Depeche Mode, Almir Sater entre tantos outros que também tem esse poder mágico.

Postura Urbana -Você acha que a nova geração está alienada por falta de incentivo dos mais velhos e referências, ou por sem vergonhice mesmo?
Zé Vicente – Pra mim, nem uma coisa, nem outra. A alienação da juventude é imposta pelos meios de comunicação que hoje não permitem que haja escolha, e pelas redes sociais que praticamente obrigam o jovem a fazer parte de algum grupo, tentar ser popular e seguir modas passageiras para não serem excluídos. As referências hoje são criadas pela conveniência comercial e os mais velhos são os que ainda resistem enquanto podem.

Postura Urbana – Deixe um conselho para a nova geração.
Zé Vicente – Conselho não, um toque. Pense muito antes de tomar decisões ou fazer qualquer coisa. A vida não permite ensaios e o tempo, impiedoso, irá te cobrar no futuro.

Postura Urbana – Como José Vicente se autodefine ?
Zé Vicente – Uma pessoa inquieta que não se acomoda e que procura viver com dignidade porque acredita que só assim evoluirá espiritualmente.

ze-vicente-3

ze-vicente-2

ze-vicente-1

Zé, o Postura Urbana a gradece  a entrevista, Positividade e Sucesso!!!

Imagens: Arquivo Pessoal

Por: JGA