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Jaqueline Rodrigues – Representatividade na Educação

trabalho na porta da sala com alunos no natal

Mulher e ativista da causa pelos direitos da igualdade social, racial e inclusiva, Jaqueline Rodrigues é Pedagoga, reside em São Paulo, prestes a começar seu Mestrado em Pedagogia na PUC, ela nos conta um pouco de sua vivência de luta e sua carreira profissional.

Postura Urbana – Conte sobre sua trajetória profissional:
Jaqueline Rodrigues – Sou professora há apenas 1 ano e meio, mas já trabalho na área há 4 anos, antes de formada trabalhava como estagiaria renumerada, em um órgão da prefeitura de São Paulo, em que olha com carinho para as crianças de inclusão. No primeiro momento se olha para os alunos com alguma dificuldade cognitiva, há formações para esses estagiários mensalmente, no qual levamos o que se passa entre os alunos com essa dificuldade, e com auxílio de mestres na educação ou profissionais da saúde, que sempre nos trazia soluções para nossos obstáculos. Aprendi muito nos dois anos que trabalhei nesse órgão, o que muito me ajuda, hoje, como educadora. Quando formada trabalhei em creches até conseguir entrar na prefeitura de Osasco, como professora PEB I no qual estou há 1 ano. Ainda sou professora seletiva, mas logo creio, serei efetiva.

Postura Urbana – Uma personalidade que você admira( na área política, na área acadêmica ou na literatura)
Jaqueline Rodrigues – Admiro muita gente, mas a que me veio à mente na hora que li a pergunta foi a professora Maria Clara Di Pierro, professora da faculdade de educação da Usp. Em 2016 a conheci pessoalmente quando consegui a muito custo, ser aluna ouvinte dela por um semestre, e conheci essa mente brilhante, que me ensinou muito. Ela tem uma posição segura no que fala, o que me faz querer ser como ela. Ela se preocupa muito com os excluídos e seus livros retratam bem esse sentimento, além do mais, a ouvindo em aula, pude constatar sua indignação, apesar que sutil, na questão.

Postura Urbana – Como você define a situação atual do povo negro? Onde avançamos e onde regredimos?
Jaqueline Rodrigues – Nós estamos ascendendo, a passos lentos, mas estamos alcançando nossos sonhos. Em 2015 em uma reunião de pretos universitários, chamado EECUN, que se realizou na UFRJ por 3 dias, e lá se reuniram 2000 pretos que muito agregou ao meu crescimento. Ali ouvi um dos palestrantes dizer que nós pretos, não podemos apenas parar na primeira graduação, eu já tinha essa ideia em minha mente, mas depois de ouvi-lo fiquei refletindo ainda mais sobre isso, em como nós precisamos nos enriquecer em muitos cursos e não parar pois nossa posição em grandes cargos requer grandes aprendizados, e os excluídos precisam de nós ali, para fazer políticas públicas que os incluem. A meu ver, estamos ainda pouco representados nas políticas públicas, depois de 2014, diminuiu mais ainda nossa representação lá, precisamos de pretos com pulso forte que busquem nossa inclusão em muitos setores.

Postura Urbana – E sobre a posição da mulher negra? Para onde estamos caminhando?
Jaqueline Rodrigues – A mulher preta muito tem se destacado, há várias mulheres por aí que buscam sua posição de guerreira, uma delas que muito admiro é a Djamila Ribeiro, estive em alguns de seus debates e vejo a força da mulher impregnada nela, até sua voz mostra sua força. Ela é um exemplo para muitas guerreiras que estão buscando sua posição no mundo. Toda vez que a ouço, vejo o quanto é importante a representatividade de uma mulher que sabe o que está falando e que mostra o tanto de conhecimento que possui, analiso que quanto mais preparada formos mais nos ouvirão, e estamos nessa busca, vejo muitas de nós em vários cursos de mestrados e doutorados, sabe aquela velha frase dos Panteras Negras? “Vamos nos armar de livros, venceremos com conhecimento”.

Postura Urbana – Porque você acha que é tão difícil para algumas pessoas se assumirem como negra? É uma questão cultural, educacional ou familiar?
Jaqueline Rodrigues – Engraçado que quando comecei minha luta pelos movimentos pretos, ouvi uma preta quase retinta que se via morena, antes de entrar no movimento. Eu olhava para ela e pensava que para mim foi diferente, eu sempre me via preta, mesmo tendo a pele mais clara que a dela e que essa minha visão era por ter sofrido muito por ser preta, um dia aos 15 anos, depois de sofrer um racismo explícito na escola, cheguei em casa chorando escondido e pedi para Deus, com todas as forças de meu ser, que acordasse branca, e em minha ingenuidade acreditei que Deus faria esse “milagre” e acordei frustrada ao constatar que minha pele continuava preta. Vejo que muitos não se veem pretos para não sofrerem tanto, alisam cabelos, passam muitos makes nas faces para branquear e assim conseguirem passar pelo mundo sem cicatrizes. Quando comecei minha transição capilar, minha família olhava consternada, e alguns diziam para eu parar de falar tanto em racismo e alisar meu cabelo de novo que nem preta eu era. Eu sorria, mas minha vontade era chorar de ver tanta ignorância, mas não guardo rancor, apenas entristeço, pois ainda hoje muitos não falam mais no assunto, mas vejo o olhar velado deles ao que digo, procuro não dizer muito, já que na mente de muitos pretos mais claros, é que, quanto mais falamos mais atraímos, como se não falar no assunto fará sumir o racismo existente. Para muitos, tem- se a impressão que depois que começamos a falar, apareceu mais o racismo, mas a verdade é, que ele sempre existiu, nós que fingíamos não existir. Os pretos sofrem mais agressão moral ou física, sofrem mais na posição acadêmica, na educação, na saúde, na perseguição policial e nos genocídios. Dessa forma o racismo é estrutural, ou seja, que faz com quem sofre, e aos que praticam o olhem como normal.

Postura Urbana – Qual a dor e a delícia de ser professora? Qual matéria você leciona?
Jaqueline Rodrigues – A dor de ser professora é ver que falta uma melhor política pública para os excluídos que foram incluídos, mas que de certa forma, não acompanham uma aprendizagem satisfatória, penso que precisam mais cursos para professores se aperfeiçoarem, claro que já existe muitos que buscam seu aperfeiçoamento, mas esses cursos tem que ser constantes, pois a cada dia há mais inclusões e muitos dos quais não temos total conhecimentos, vamos ali meio que pesquisando sozinhas, o melhor caminho a seguir com cada indivíduo. A delícia de lecionar, é ver os olhinhos brilhantes buscando respostas, isso me encanta sempre, cada vez que vejo os olhinhos em minha direção, vejo meus olhos quando busco minhas respostas ao estar em alguma aula, pois toda palestra ou debates que vou ou assisto, busco minhas respostas e meus olhos brilham do mesmo jeito que dos meus alunos, e em cada resposta adquirida, vejo suas posições e falas no que aprenderam, é ainda mais grandioso e prazeroso. Eu sou pedagoga, dessa forma, leciono o básico das principais disciplinas nos 5 primeiros ciclos da educação.

Postura Urbana – E o mestrado da Puc? Um sonho ou uma conquista? Conte como chegou até ele.
Jaqueline Rodrigues – O mestrado foi um sonho que me deu muito prazer em conquistá-lo, há dois anos buscava essa realização, e foi com imensa satisfação que o consegui. Essa conquista é do povo preto, já que foi através de movimentos pretos que se teve cotas nos cursos de mestrado e doutorado da PUC. Foram 3 eliminatórias que me renderam muita dor no estômago e duas noites insones, não por não estar preparada mas pela concorrência, já que se tinha 42 inscritos para 20 vagas. A banca e os concorrentes foram lindas, o que me acrescentou muito. É muito bom entrar em um curso no qual a eliminatória te acrescenta e muito, cada um que falava e as intervenções da banca foram já me abrindo os olhos para muita coisa. Essa nova etapa me trará muita luz além de aprendizado. Minha linha de pesquisa será justamente os excluídos, penso no título “ O trabalho da docência nos desvios de conduta dos alunos”, mas ainda não tive nenhum encontro com minha orientadora, por isso não sei se o título continuará o mesmo, mas a pesquisa que quero fazer é justamente como nós professores, podemos trabalhar a aprendizagem dos alunos, quando eles possuem algum distúrbio, seja agressivo, tímido ou apático, pois encontramos vários sintomas, que fazem com que os alunos não tenham uma aprendizagem satisfatória e isso os frustra, e os fazem cada vez mais distantes de nós professores, quero que minha pesquisa ajude a todos educadores e a mim, mas principalmente aos alunos. A PUC vai ficar preta! No dia que fui assinar minha matrícula, uma de minhas amigas de movimentos, passava pela banca de qualificação de projeto para passar para o último semestre do mestrado e concluir sua pesquisa, e nessa banca, em uma salinha modesta da PUC, havia 9 pretos, além que na banca, havia um preto convidado pela mesma. O coordenador falou o quanto estava maravilhado, de ver que tantos pretos, se reuniam na banca de outra aluna, que nunca havia visto isso em outras bancas, e ainda por cima, ter uma pessoa na banca que ainda nem havia começado o curso, no caso eu. Ele lembrou que quando debatia nas reuniões sobre a inclusão de pretos na PUC, que muitos céticos, torceram narizes dizendo que a qualidade das pesquisas iam cair com nossa chegada, e ele pode ver, que nossa presença na PUC, acrescentou muito, inclusive com nossa presença questionadora na banca dos colegas.

Postura Urbana – Esse ano é ano eleitoral, qual sua posição política frente a São Paulo e frente ao Brasil?
Jaqueline Rodrigues – Sou a favor do governo que está do lado das minorias, ou seja, os pretos, mulheres, homos, crianças, moradores de rua, periféricos, entre outros que são excluídos da sociedade. O que muito me preocupa, é que São Paulo move a economia do Brasil, e parece que esse dado, faz com que o capitalismo o habite e o Mercado preocupado em se manter no topo, não deixará (ou impedirá) que governos que pensam nas minorias voltem ao poder. Sabemos que Brasil não é apenas São Paulo, mas o que este dita, transforma opinião de muitos. Vale aos menos favorecidos saberem bem o que são, e a posição que estão, e observarem os políticos que trabalham, para que sejam melhores. O povo não é preparado para compreender o que é a política, o que os torna, analfabetos políticos, o que os faz, visar apenas os que estão nos cargos mais importantes e esquecer de quem faz as leis. E são estes políticos, que muitos não prestam atenção, é que estão nas assembleias ditando o que é melhor, ou pior para nós.

Postura Urbana – Quem é Jaqueline Rodrigues? Como você se autodefine?
Jaqueline Rodrigues – Não dá para falar sobre quem sou eu, sem antes dizer quem fui. Fui uma criança pobre, preta, que como muitas nesse mundo sofreram, ou sofrem racismo, esse fato me trouxe grandes tormentos e inclusive, me acorrentou em uma redoma e de lá não me sentia capaz de sair.
Essa redoma, por anos, me fez negar quem na verdade eu era, ou seja, uma preta que tinha capacidade de ser quem eu quisesse ser, e lutar para ser, e não uma preta insegura, incapaz e sem sonhos. Felizmente encontrei pessoas que foram me ajudando a tirar as cascas da redoma, até me libertar. Hoje posso dizer, que sou Jaqueline Rodrigues, uma mulher preta, guerreira, com ideais, que foi atrás de seus sonhos, que não se abateu com as derrotas, e sim as usou para fortalecimento, e que venceu, mesmo ainda tendo muito a conquistar, me sinto uma vencedora.

Parabéns por seu engajamento em questões tão relevantes Jaqueline, o Postura Urbana agradece a entrevista e lhe deseja Sucesso!

 

fala sobre empoderamento

encontro no quilombo de Eldorado

encenaçãoa peça infantil com alunos, apresentação para escola

EECUN

manifestação das feministas na usp

Imagens: Arquivo pessoal

 

Por JGA

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Moda e Empreendedorismo por Izabelle Marques

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Izabelle Marques – Administradora – São Paulo – SP

Conheci a Belle no curso de moda inclusiva voltado para o varejo no final de março, logo de cara a achei simpática, não conversamos muito na ocasião, mas no final do curso fiz questão de pegar o contato dela.
Belle nasceu com mielomeningocele, também conhecida como espinha bífida aberta, é uma malformação congênita da coluna vertebral. Por conta disso Belle é cadeirante, mas isso é só um detalhe, sua alegria e sorriso fácil contagiam e conquistam. Prazer em conhecê-la Belle, se joga que talento e carisma você já tem.

Confiram abaixo a entrevista.

Postura Urbana – Como se deu seu interesse pela moda?
Izabelle Marques Joooo. Primeiro gostaria de agradecer muito o convite e o carinho de sempre comigo, dizer que é um prazer participar do seu blog e ter te conhecido. Eu sempre gostei de moda, sempre me interessei, mas o básico de toda pessoa, gostava de roupa, sempre gostei de comprar roupa, mas não entendia, e sempre tive gosto por roupas mais elegantes, mais clássicas, mas nunca levei a sério pois eu pensava: Ah fazer faculdade moda, eu não sei desenhar e costurar e não quero aprender, sempre tive esse pré- conceito com a moda, até que me formei em administração e conheci a moda inclusiva, sou sou cadeirante, tenho mielomeningocele, daí eu achei que podia unir a gestão da administração que tenho pela minha formação, com a moda, então eu comecei a fazer cursos livres na área de moda, e agora não paro mais. Postura Urbana – A recíproca é verdadeira Belle.

Postura Urbana – Como você define moda e como percebe a moda brasileira?
Izabelle MarquesEu defino moda como necessidade, necessidade porque, vamos partir do pressuposto que você se veste, pois precisa se cobrir, precisa se aquecer, da necessidade, vem o desejo por moda, moda é uma maneira de se manifestar, dizer o que você pensa, é um meio de comunicação,informação, como você quer que o outro te enxergue e como você se enxerga, sem mesmo precisar dizer isso com palavras, a moda brasileira está evoluindo, claro, ainda precisa avançar muito, como somos brasileiros nós não desistimos, o brasileiro está evoluindo, está abrindo a cabeça, está lutando por seus ideais e convicções e a moda com certeza é um reflexo disso.

Postura Urbana – Você tem algum estilista inspiração?
Izabelle MarquesTenho dois, a Coco Chanel como minha estilista mais incrível e inspiradora, determinada, que lutava por seu ideais,o mais lindo de sua história, e que não podemos esquecer, embora a chanel hoje, seja uma marca de luxo, de alto luxo, nasceu de uma necessidade, e essa relação se assemelha muito com a moda inclusiva, e isso me inspira demais,tanto a marca,quanto a Gabrielle Chanel. E o outro, é o Armani, Giorgio Armani, por conta da história dele mesmo, no curso de moda inclusiva a Ju Lopes até citou a história dele(não sei se você teve a oportunidade de ter essa aula com ela), ele era muito, muito pobre, e a mãe dele costurava e fazia para ele e o irmão os melhores uniformes, eles andavam muito elegantes e todos achavam que eles eram ricos, e isso só prova que não precisa ser rico, não precisa de dinheiro para ter bom gosto, para ter o melhor, dá pra ser elegante, sendo humilde, e isso eu acho tão lindo, as roupas do Armani são desconstruídas, e isso se assemelha a moda inclusiva de novo, pelo menos na minha opinião, até gostaria de saber sua opinião,pois na moda inclusiva, se desconstrói para construir, e eu acho isso tão lindo, e Armani compartilha disso, tem um vídeo dele, não sei se você já viu, em que ele desconstrói uma jaqueta de couro, é incrível. Postura Urbana – Concordo contigo, também vejo a moda como comunicação, e concordo que a moda inclusiva é desconstruir para construir, é preciso quebrar paradigmas, chega do mais do mesmo. Sim, na minha primeira turma de moda inclusiva, tivemos palestra com a Juliana Lopes e ela falou do Armani, da história dele sempre andar bem vestido na infância apesar de ser de família pobre, concordo com você, acho que a beleza da simplicidade é algo encantador, não é preciso dinheiro para se ter bom gosto, até porque tem muita gente rica que é cafonérrima.

Postura Urbana – Sua formação é Administração, é dela que vem seu interesse pelo empreendedorismo?
Izabelle MarquesSim, minha formação é Administração eu acho que sim, minha visão empreendedora, se é que posso dizer que tenho uma, vem daí. De novo Chanel, eu acho que vem algo intrínseco em mim, desde criança, de uma forma ou de outra eu tive que me virar para pertencer, na escola, me sentir pertencida, ter a sensação de pertencimento que todo ser humano quer, a administração me deu a visão de que eu tenho como empreender e fazer o bem, fazer o social que tanto me brilha os olhos.

Postura Urbana – Você acha que o governo brasileiro desincentiva o empreendedorismo?
Izabelle MarquesNão tenho opinião formada sobre esse assunto.

Postura Urbana – Conte um pouco de seu trabalho como escritora, você é parceira de um blog né?
Izabelle MarquesObrigada pelo escritora, ainda não, mas um dia se Deus quiser, eu adoro escrever , queria na verdade fazer jornalismo, mas desisti, eu tinha 18 anos e aos 18 anos seu ideal vale muito mais, é mais importante, você não pensa em ganhar dinheiro, você quer viver de seus ideais, e pensei, não vou escrever uma coisa em que não acredito, e desanimei do jornalismo por saber que eu teria que me vender, hoje eu penso diferente, não levo tudo a ferro e fogo mas eu sempre amei escrever, sempre escrevi para mim mesma, facebook, essas coisas, e no começo do ano eu reavivei a página força Belle, que foi uma página que fizeram para mim pois eu passei por uma cirurgia muito grave em 2014 e a página era para me dar apoio. O amigo do meu pai que tem uma imobiliária, me convidou para escrever um artigo de tema livre para o blog da imobiliária dele que fica no bairro de Perdizes, e eu escrevi sobre inclusão domiciliar, no sentido de reforma, de arquitetura, eu estava vivendo esse momento, estava reformando o meu quarto que pela primeira vez teve adaptações feitas para mim. E aí ele gostou e eu comecei a escrever com uma certa frequência para o blog dele. E desde então, eu sou parceira desse blog, quando ele me pede eu escrevo e estou adorando, estou pegando um carinho, uma prática cada vez maior e estou aberta, aceito convites.

Postura Urbana – Como surgiu seu hobby por motociclismo?
Izabelle MarquesEntão, o meu pai ele sempre andou de moto, aliás, ele andava de moto quando jovem e quando minha mãe engravidou do meu primeiro irmão, ele vendeu a moto para comprar as coisas do quarto do bebê, enfim. Daí eu e meus irmãos crescemos e no aniversário de 50 anos dele, ele pediu permissão para comprar uma moto para ele, ele voltou a andar de moto e conheceu uma turma super legal, ficaram todos amigos e eu comecei a andar junto, em pequenos percursos até por não ter uma adaptação, só que minha mãe ía no o carro atrás, levando a cadeira, até que no meu aniversário de 18 anos, ele me deu uma moto de presente, onde a garupa é um sofá, então eu conseguia ir tranquilamente, e eu amo andar de moto, amo, a sensação que eu tenho em cima da moto, é quase que inexplicável e ele fez uma carreta onde ele engata a moto e a cadeira vai em cima, minha mãe não precisa mais ir com o carro atrás, levando a cadeira. Daí a gente saí com a moto e com a cadeira, é super bonito.

Postura Urbana – O fato de você ter nascido com mielomeningocele não te impede de fazer o que você gosta, conte como é sua rotina.
Izabelle MarquesNão, claro, não impede mas assim, tudo que eu gosto e faço, algumas coisas eu preciso aprender de forma diferente, mas nunca deixei de fazer nada que eu gostasse por conta da mielo, minha rotina é bem normal, às vezes no meio do caminho, tem uma cirurgia ou outra, mas isso já faz parte da minha rotina. Hoje eu faço home office, ajudo minha mãe nas coisas da casa, trabalho com meu pai quando ele precisa de uma mão, tenho feito uns jobs, tenho estudado muito moda, e estou pensando em prosseguir, tenho uns projetos que vem aí, que eu ainda não posso te adiantar, mas te conto em primeira mão quando tudo der certo, se Deus quiser.

Postura Urbana – Você sempre morou em São Paulo? Quais os pontos positivos e negativos da cidade a seu ver.
Izabelle MarquesSim, sempre morei em São Paulo, sou daqui mesmo, eu amo São Paulo, e o único ponto negativo é acessibilidade, que está crescendo, está evoluindo, mas em passos pequenos, eu adoro, eu adoro a comodidade que São Paulo me dá, de poder fazer qualquer coisa a qualquer hora. Isso é muito bom.

Postura UrbanaRaio X
Um Sonho:
Izabelle MarquesSão tantos, mas eu acho que ver todo mundo, conquistando as coisas que precisam e querem, poder realizar as coisas, não só eu, mas o mundo sabe, é ser feliz no mais amplo sentido da coisa.
Um Livro:
Izabelle MarquesDom Casmurro certeza absoluta!
Uma música:
Izabelle MarquesSão tantas né? Mas uma que tenho ouvido bastante, é, Toda forma de amor do Lulu Santos, gosto das músicas de Tiago Iorc também.
Um Lugar:
Izabelle MarquesMeu quarto!
Um prato:
Izabelle MarquesMeu Deus! Japonês.
O que gosta de fazer nas horas de lazer?
Izabelle MarquesLer, jogar Candy Crush(risos) e assistir séries.
O que faz você perder a paciência?
Izabelle MarquesBurocracia, ver gente que faz de tudo para complicar o que não é complicado, gente que não se abre para ideias novas.
Postura Urbana – Como Izabelle Marques se autodefine?
Izabelle MarquesComo que eu me defino? Ai meu Deus! Acho que teimosa, melhor dizendo, persistente, acho que sou uma romântica incurável e uma otimista incurável também, tenho mania de ver sempre as coisas boas sabe, acho que assim fica mais fácil.

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Belle querida o Postura Urbana agradece a entrevista, Sucesso!!!

Imagens: Arquivo Pessoal.

Por: JGA

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Poetizando com Zé Vicente!!!

 

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José Vicente de Lima, 61 anos de idade, nasceu na zona leste de São Paulo (São Miguel Paulista), trabalha como escriturário na Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Platina PR há 28 anos e não tem formação acadêmica. Se interessou pela arte ainda muito jovem quando percebeu o dom para o desenho a pintura e a escultura, que foram seus passatempos durante muitos anos. Começou a escrever poemas na década de setenta, influenciado pelo estudo dos textos de escritores e poetas nas aulas de português. Vem postando textos nas redes sociais desde 2011 e tem poemas publicados em coletâneas e blogs, mas não tem livro editado até o momento. Colabora com movimentos culturais desde os anos oitenta e faz o resgate de um desses movimentos em uma página da qual tem o domínio (Viva MPA). Por não ter nenhuma pretensão comercial ou artística, pode trabalhar sua criatividade livremente, sem no entanto, descartar a possibilidade de ter parte de sua obra publicada fisicamente num futuro próximo. É também pesquisador de música e amante da fotografia, hoje seus principais passatempos, mas é na poesia que melhor expressa os seus pensamentos, sua filosofia e a sua visão do comportamento humano e dos acontecimentos do mundo atual.(Release escrito pelo próprio Zé).

Zé Vicente é aquele tipo de pessoa que cativa pelo jeito de ser, tem um carinho para com os amigos, é um homem de bem com a vida e escreve coisas lindas.

Quase
Esse quase constante
Deprime,
Mata perspectivas,
Coloca objetivos
À deriva,
Corrói o orgulho,
Muda o sentido do otimismo,
Força a consciência
De que o certo
Nem sempre é ser bom,
E que a sorte
Nunca segue caminho reto.
O caráter,
Figura de retórica,
É lembrado na hipocrisia
E a filosofia
Não permite o riso,
Assim como as contas
Não são pagas
Pela ideologia.
O distraído acha o tesouro
Sem mapa
E o tolo quase sempre
Sente o êxtase do prazer
Enquanto o consciente
Tropeça nas palavras
E é obrigado a questionar
Suas certezas.
As coincidências
Não ajudam os justos
E as sinas, invenções religiosas,
Maquiam o azar
O quase
Sempre à margem do tempo
Insiste em estampar frustrações
E mostrar egos em espelhos
Que não refletem
A vontade da carne
Os tiros pela culatra
Ecoam pelas almas
E as frustrações se multiplicam
Enquanto a vida segue
O caminho entre muros
Não tem retorno
E a verdade reflete o erro.
Quando dá tempo de cansar
Muda-se o lado
Mas sé já for tarde
Cai-se no anonimato
Recolocar as pedras no tabuleiro
É necessário
Mas a vida não é um jogo
Quando foi ver,
O tempo já passou
E nem a esperança da volta
Justifica o que se perdeu. (Zé Vicente 24.06.2013).

A seguir, entrevista:

Postura Urbana – Você gosta de cultura de um modo geral, quais são suas inspirações?
Zé Vicente – Penso que a cultura é um alimento fundamental para a alma e para a evolução do ser humano. Tudo e todos aqueles que de alguma maneira se envolvem na produção desse alimento de forma direta ou não, me inspiram.

Postura Urbana – Qual sua formação?
Zé Vicente – Não tenho formação acadêmica. Apenas O ensino médio.

Postura Urbana – Como começou a fazer poemas?
Zé Vicente – No início dos anos setenta, influenciado pelos professores de português que na época, ensinavam a gramática baseando-se no estudo de textos de poetas e escritores, principalmente brasileiros, me identifiquei com essa arte e comecei a escrever e guardar poemas, que só depois de muitos anos tive coragem de mostrar. Ainda guardo alguns dessa época que até hoje não foram lidos. De 2011 pra cá venho publicando poemas nas redes sociais.

Postura Urbana– Como define seu trabalho?
Zé Vicente – Meu trabalho poético é totalmente livre. O fato de não ter formação acadêmica me dá liberdade para não seguir regras. Eu não componho poemas, nem me preocupo com rimas, regras ou métricas. Só escrevo o que me vem à cabeça nos momentos de inspiração.

Postura Urbana – Quem são seus ídolos na literatura?
Zé Vicente – Eu nunca me permiti idolatrar qualquer ser humano. O que dedico a pessoas que tem talentos especiais em qualquer atividade é a minha admiração e respeito, sejam elas reconhecidas ou não. Fui influenciado por vários poetas e escritores durante toda a minha vida, mas entre os que mais me marcaram estão Augusto dos Anjos, Charles Baudelaire, Machado de Assis e Jorge Amado.

Postura Urbana – Pode-se dizer que um poeta lê de tudo?
Zé Vicente – Depende do sentido. Eu, particularmente penso que não. Para o poeta, banalidades não interessam e é isso que mais se vê nos dias atuais. Pessoas escrevendo coisas idiotas para leitores medíocres. Infelizmente.

Postura Urbana -O que você não Lê de jeito nenhum?
Zé Vicente – Qualquer publicação que acompanhe o dia a dia e a vida de celebridades porque não tenho o menor interesse.

Postura Urbana – Financeiramente falando, você faz parte de algum projeto de incentivo a artistas?
Zé Vicente – Não.

Postura Urbana – Qual sua opinião sobre a lei Rouanet?
Zé Vicente – Uma lei criada com boas intenções, mas que, utilizada por mãos erradas para troca de favores, política e pagamentos indiscriminados, tem hoje o seu nome manchado e dificilmente irá recuperar a credibilidade. A lei em sí, é necessária para o desenvolvimento e incentivo à arte e ao artista desse país.

Postura Urbana – Musicalmente falando, o que massageia seus ouvidos?
Zé Vicente – Meu gosto musical é extenso e variado porque eu pesquiso música desde muito jovem. Existe música boa em quase todos os estilos e eu não discrimino, apesar do meu gosto especial pelo rock, que é o que mais escuto. Para citar nomes, um exemplo do que massageia e sempre massageou meus ouvidos é a banda Jethro Tull, mas tem também Caetano Veloso, Miles Davis, Depeche Mode, Almir Sater entre tantos outros que também tem esse poder mágico.

Postura Urbana -Você acha que a nova geração está alienada por falta de incentivo dos mais velhos e referências, ou por sem vergonhice mesmo?
Zé Vicente – Pra mim, nem uma coisa, nem outra. A alienação da juventude é imposta pelos meios de comunicação que hoje não permitem que haja escolha, e pelas redes sociais que praticamente obrigam o jovem a fazer parte de algum grupo, tentar ser popular e seguir modas passageiras para não serem excluídos. As referências hoje são criadas pela conveniência comercial e os mais velhos são os que ainda resistem enquanto podem.

Postura Urbana – Deixe um conselho para a nova geração.
Zé Vicente – Conselho não, um toque. Pense muito antes de tomar decisões ou fazer qualquer coisa. A vida não permite ensaios e o tempo, impiedoso, irá te cobrar no futuro.

Postura Urbana – Como José Vicente se autodefine ?
Zé Vicente – Uma pessoa inquieta que não se acomoda e que procura viver com dignidade porque acredita que só assim evoluirá espiritualmente.

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Zé, o Postura Urbana a gradece  a entrevista, Positividade e Sucesso!!!

Imagens: Arquivo Pessoal

Por: JGA

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Beto Cruz! Sua voz, seu recado!

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Beto Cruz é um desses garotos de sorriso fácil e Vibe Positiva, me lembro dele criança, empinando pipa na rua, sempre sorridente, cresceu e se tornou um rapaz de muito talento, com muita consciência. Fico feliz de ter contato com ele.Nos encontramos na virada do ano, reforço aqui o desejo de um 2017 cheio de realizações pra você!!!

Salve Betinho, abaixo segue entrevista:

Beto Cruz– músico – São Paulo – SP

Postura Urbana – Você gosta de cultura de um modo geral, quais são suas inspirações?
Beto Cruz – Sim, todas as áreas da cultura me interessam eu me identifico muito. Meu circuito de amizades varia entre artes visuais, artes plásticas e saraus, até chegar nos músicos, acho que essa energia me conduz. Minhas inspirações estão nas coisas simples, no sorriso dos meus filhos, nos dias de sol, nos dias de chuva, no amor, e acredito que a minha inspiração seja na simplicidade da vida.
 Postura Urbana – Como começou a compor?
Beto Cruz –Bom… (Risos) foi um processo que acredito, que eu fui mais escolhido do que eu escolhi a compor, saca? Eu tinha alguns versos escritos guardados, mas nenhum formulava uma música completa, até que um dia eu fechei alguns versos e mostrei a um amigo (Pedro Alves) no caso eu iria pedir pra ele escrever a parte dele em 2012, e a gente iria fechar o que seria a nossa primeira música juntos, ele escreveu e a música nasceu daí em diante, nunca mais parei de compor o nome dela é “Discos de Vinil”.
 Postura Urbana– Como você define seu trabalho?
Beto Cruz – Livre! Mesmo estando dentro de um gênero musical defino minha música livre. Gosto de falar de igual pra igual nas minhas letras, como se eu estivesse conversando com o ouvinte, como eu disse na primeira pergunta, a simplicidade da vida é o que me inspira, gosto de simplicidade e naturalidade.
Postura Urbana – Como surgiu seu primeiro EP?
Beto Cruz – O EP nasceu de algumas letras e batidas produzidas em 2016, trazendo dois remixes das músicas “Saudade” e “Vivenciar”. O nome do EP é Novos Ares e como será meu primeiro trabalho, estou muito feliz pelo progresso e processo produtivo,em breve o trabalho estará disponivel nas plataformas digitais. Farei o CD fisico também!
 Postura Urbana – E como você escolhe seus parceiros?
Beto Cruz – Na música, gosto de fazer parceria com pessoas que eu tenho um vínculo afetivo fora da música, como amigos próximos e familiares, acho que o diálogo musical fica mais natural quando se trabalha assim, O clima fica bem descontraído e leve na criação da música.
 Postura Urbana – Quem são seus ídolos na música?
Beto Cruz – Me inspiro muito na escrita do Djavan, Milton Nascimento, aquela coisa de falar de tudo que está em nossa volta, sobre o vento, amor, lugares de uma forma única. Ouço Baobá Nagô, Bob Marley, Peter Tosh, Black UHURU também me inspira. No rap nacional, gosto muito de ouvir Black Alien, Costa Alves Interiormente, Sabotage, Sombra, Gelleia, no momento ouço isso.
Postura Urbana – Como define a cena musical popular atual? Você acha, que esses modismos são efeito da alienação coletiva?
Beto Cruz –No lado alternativo ainda podemos ouvir coisas boas na música popular, na população percebo que eles são mais vitimas do que alienados, saca?! Acho que a alienação é você ingerir algo sem saber de onde surgiu, eles ingerem e sabem de onde vem. A mídia que se torna um mediador dessas pessoas e acaba doutrinando a seguir apenas um padrão.
Postura Urbana -O que você não escuta de jeito nenhum?
Beto Cruz –Hoje em dia eu me permito ouvir coisas novas e tentar filtrar apenas coisas boas de todos os gêneros musicais, quando eu produzo uma instrumental eu tenho que usar samples de diversos estilos , até formar uma instrumental de rap, acho que aí já quebra o lance de não ouvir outras sonoridades.
 Postura Urbana – Financeiramente falando, você faz parte de algum projeto de incentivo a novos artistas?
Beto Cruz Não faço parte… Mas já participei de alguns projetos com incentivo como atração artística quando o projeto estava sendo executado.
 Postura Urbana -E quanto ao preconceito? Você já foi vítima?
Beto Cruz – Acho que todo cidadão preto na sociedade brasileira já sofreu preconceito, mas a vítima não somos nós, e sim os racistas que sofrem dessa doença. Nós resistimos todos os dias, ocupando lugares, universidades, cargos importantes no trabalho, TV e na Música. Mas como diz o DJ do Racionais MC’S grande KL J “Estamos em território inimigo”.
 Postura Urbana -Você acha que o racismo é desinformação ou mau caratismo mesmo?
Beto Cruz –Desinformação! Infelizmente o racismo no Brasil nasce em todos os meios de comunicação possíveis, eles vendem o padrão europeu e restringem a cultura afro no país. Hoje estamos caminhando em passos largos, mas pense, nós crescemos sendo doutrinados a não gostarmos dos nossos cabelos, traços, cor da pele e a mídia vende apenas o lado da dor da nossa raça, manja? Um estrago psicológico enorme; estamos em um pais que precisamos pesquisar sobre nós mesmos. Na escola local onde deveria ser a base da nossa formação, não falavam sobre Malcolm X, Martin Luther King, Stevie Biko, Milton Santos, Black Panthers, eles não falavam sobre a riqueza africana.
 Postura Urbana – Deixe um conselho para a nova geração.
Beto Cruz – Se informem! Não tenham medo de consumir informação, ler, assistir documentários e vasculhar o passado. Não existe a construção do futuro sem saber sobre os ancestrais, mas não deixe de lado os nossos contemporâneos. Só o conhecimento libertará essa alienação!
Postura Urbana – Como Beto Cruz se autodefine ?
Beto Cruz – BETO CRUZ é família, música, alma de poeta e muita ligação com as africanidades.

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Querido Betinho, o Postura Urbana agradece a entrevista, muita Luz e Sucesso!!!

Imagens: Arquivo Pessoal

Por: JGA

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Teatro para todos. Loló Névves

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Postura Urbana – Como decidiu ser artista?

Loló Névves – Nasci atriz! sempre soube pra que vim a esse mundo.

 Postura Urbana – Como surgiu a ideia de levar arte a comunidade?

Loló Névves -Quando senti a necessidade de mostrar que o público de uma forma geral adora uma boa comédia. Seja qual for a classe social. E é verdade, toda arte,sendo bem feita,atinge a qualquer pessoa.

 Postura Urbana – Recebe algum apoio governamental? Como vê o cenário atual da cultura com essa troca de governo?

Loló Névves -Tenho projetos aprovados na Lei Rouanet, mas a captação é difícil pra quem não é “Famosa”. Tenho 31 anos de carreira, e essa mudança do Ministério da Cultura para secretaria,pra mim não muda nada!! Nunca dependi deles pra viver e estar em cartaz com meu teatro. Quanto a mudança de governo, como falo sempre, eu não votei no Temer, mas ele ou qualquer outro politico é melhor que a Dilma e o PT!A Lei foi feita para ajudar pequenas produções e formar público para as artes.A boquinha tem que ser fechada sim!

 Postura Urbana – Quais são suas inspirações?
Loló Névves -São várias. O Ser Humano principalmente, e suas imperfeições.

 Postura Urbana – Livro de cabeceira

Loló Névves -Adoro Biografias.

 Postura Urbana – O que te desanima?

Loló Névves -Os Políticos.

 Postura Urbana – Um sonho

Loló Névves – Continuar sonhando…

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O Postura Urbana agradece a entrevista Loló … Sucesso… Feliz 2017!!!
Imagens: Arquivo Pessoal
Por JGA
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Renato Gomes e o Amor a ARTE!

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Renato Gomes

Artista Plástico/Eco-Designer

Empreendedor Social da Criar & Criar Art Design

Cidade: São Paulo

 Postura Urbana: Conte um pouco de sua trajetória com as artes plásticas.
Renato Gomes – Acredito que eu já tenha nascido com uma veia artística muito forte. Desde pequeno adorava ouvir e cantarolar músicas e especialmente desenhar e pintar. Tanto no natal como no dia das crianças os presentes que mais me agradavam sempre eram aqueles que tinham alguma relação com a arte(lápis de cor, giz de cera, tinta guache, livros de pintura, telas etc).
Aos 16 anos descobri a pintura a óleo e acrílica e comecei a pintar quadros com muita frequência. Já nessa época mesmo ainda não sabendo o que significava, comecei um processo de “empreender” com a minha própria arte: Fazia bichinhos com bolinhas de gude e durepox e os vendia em Feiras livres e também adorava pintar peças de gesso. Também passei a produzir cartões que eu pintava e inseria textos e poesias que eu mesmo criava. Aos 25, resolvi fazer um curso técnico de Desenho e Expressão Plástica já que não tive condições de ingressar numa faculdade que me proporcionasse experiências mais ricas. Durante esse processo, passei a participar de algumas mostras, concursos e expor mais os meus trabalhos(principalmente os quadros). Trabalhava de balconista em uma farmácia de Medicamentos Antroposóficos onde tive contato com a Pedagogia Waldorf e acabei recebendo influencias da Terapia Artística Antroposofica que utiliza cores sutis em aquarela e expressa energias e movimentos através da cores.
Após terminar o curso que fiz no SENAC, aos poucos fui descobrindo e explorando outros materiais como: jornais, revistas, tetra pack, etc., até que me deparei com as garrafas pet que em 2005 já encontrava-se em qualquer lugar. Nessa época, havia acabado de me engajar na área social e com o trabalho da ONG Mensageiros da Esperança da qual sou coordenador até hoje. Passei a explorar diversas técnicas e em quase todos os eventos em que a ONG participava, passamos a expor os produtos que confeccionávamos. Em 2006 passamos a decorar um evento com frequência anual envolvendo 15 entidades: A Festa das Nações que acontecia dentro do Palmeiras, onde passei a fazer a curadoria da decoração. Nessa época exploramos desde chapas de Raio X a tampinhas de garrafas iniciando um trabalho de educação ambiental através das decorações e cenografias. À partir daí a cada ano surgiam novos desafios: Em 2007 decoramos 7 quadras da rua Sta Ifigênia em São Paulo; em 2010, através da parceria que a ONG firmou com a Coca Cola, decoramos o palco do Memorial da America Latina, HSBC Brasil, stands na Expo Center Norte entre outros, porém o que a cada ano passou a ficar mais marcado desde 2006 foram as Árvores e enfeites de Natal que hoje são o nosso maior legado e contribuem não só com um processo de geração de renda como também nos ajuda a trazer recurso e capital para empresa da qual sou fundador.

Postura Urbana: Como é seu processo criativo?
Renato Gomes – Diria que que eu tenho uma certa facilidade pra criar e essa é uma das partes que eu mais amo fazer. Sempre que vejo algum tipo de garrafa ou qualquer outra matéria prima ou material reciclável, procuro imaginar no que aquilo pode ser transformado ou que outras utilidades e funcionalidades pode ter. Gosto sempre de rascunhar as ideias a lápis, depois ir pra execução e depois do objeto pronto, vou explorando maneiras de aperfeiçoá-lo deixando-o funcional e ao mesmo tempo com uma estética agradável. Nesse caso, por se tratar do meu trabalho, o processo acaba acontecendo com mais frequência durante o dia mesmo. Já se tratando de pintar quadros, gosto mais de fazê-lo nas madrugadas ou quando o dia está quase amanhecendo, pois como sempre sinto que estou sendo inspirado por algo superior, preciso estar em um ambiente livre de ruídos e preferencialmente com uma música clássica rolando ao fundo que acaba me inspirando ainda mais.

Postura Urbana: Vc tem algum artista Inspiração?
Renato Gomes – Sim. Na verdade vários! Mas os principais são, Van Gogh, Monet e a Tarcila do Amaral. No que se refere ao eco-design também admiro muito os designers que usam a criatividade pra transformar e reutilizar materiais.

Postura Urbana: Atualmente está em alta o reaproveitamento de materiais,
em trabalhos de arte e design, vc acha que isso é modismo ou veio para ficar?
Renato Gomes – Infelizmente ainda existe uma gama de pessoas que se dizem ambientalistas, falam sobre meio ambiente e sustentabilidade mas não praticam de fato mas, venho percebendo ao longo dos anos uma certa evolução na mentalidade e consciência das pessoas em relação as questões ambientais e coleta seletiva. Vejo isso como positivo mas ao mesmo tempo ainda muito carente de crescimento pois as estatísticas mostram que o Brasil ainda perde pra muitos outros países em matéria de reciclagem e reaproveitamento de materiais.

Postura Urbana: Você tem preferência por algum tipo de material?
Renato Gomes – Hoje, no meu dia a dia meu maior contato é com as garrafas pet, que acabei aprendendo a gostar e explorar, mas o que eu mais amo fazer é pintar quadros pois além de me relaxar e me manter conectado com o Divino, me ajuda a transmitir “energias” através da cores e dos movimentos que adoro explorar nas obras que pinto.

Postura Urbana: Fale sobre a Criar e Criar Art Design.
Renato Gomes – A Criar e Criar é um negócio social que nasceu com um propósito: Causar Impactos ambientais e Sociais através da Criação de produtos e serviços (Decorações e Cenografias). Atualmente procuramos atender a demandas de alto impacto, onde sensibilizamos os expectadores com as nossas criações e com isso passamos a despertar consciência ambiental e social. Hoje, um dos nossos principais desafios, é tentar medir o impacto causado pelo nosso trabalho já que os mesmos sempre ficam expostos em locais de grande circulação. Além disso também procuramos atingir um público que ainda preza por um artesanato bem feito e/ou tem mais facilidade de despertar a consciência ambiental visualizando pequenos objetos que neste caso expomos em feiras e eventos. Em geral essas pessoas tem um pouco mais de idade enquanto no caso das decorações e design de interiores estão ligadas a pessoas mais jovens e que buscam a inovação e a sustentabilidade.
Durante a sua trajetória iniciada em 2007 a Criar e Criar já processou mais de 400.000(quatrocentas mil) garrafas pet a principal matéria prima utilizada. “Nossa meta é em 2016 atingirmos Um Milhão de garrafas processadas e destinadas corretamente”.
MISSÃO DA CRIAR: “Causar impactos sociais e ambientais positivos fomentando a geração de renda através da reciclagem e reaproveitamento dos resíduos sólidos de forma inovadora e criativa”
VISÃO DA CRIAR: Ser referência em produção e criação de cenografias e objetos decorativos sustentáveis através de seus produtos e serviços.
VALORES:
Amor pelo processo criativo e transformação dos materiais recicláveis;
Amor pelo ser humano e meio ambiente;
Ética;
Responsabilidade social;
Transparência;
Trabalho em equipe focado na satisfação dos clientes;
Prazer em replicar conhecimentos;

Postura Urbana: Quando recebe o briefing de um cliente como se desenrola o processo de criação?
Renato Gomes – Em geral a primeira coisa que fazermos é explorar minuciosamente o projeto a ser executado e verificar se temos condições de atender aquela demanda. Feito isso passamos a fazer um levantamento de custos para a aprovação do cliente e após aprovado, partimos para a execução, tentando sempre ser o mais fiel possível ao que está sendo solicitado no briefing.

Postura Urbana: A junção de arte com enfoque social ainda tem pouco apoio financeiro por parte do governo e de instituições privadas, vc acha que isso se deve ao quê?
Renato Gomes – Ao mesmo tempo que essa é uma questão difícil de se responder, também pode ser que não seja difícil identificar os porquês. Apesar de tudo que tem estourado na mídia(crises mundiais, corrupção, etc), a cada ano percebemos uma gama maior de empresas apostando em ações sustentáveis e de fomento a coleta seletiva. Parte desses resultados se deve a Politica Nacional de Resíduos Sólidos a qual muitas empresas estão tendo que se adaptar a fim de não serem multadas pelos órgãos fiscalizadores.
Já com relação ao governo, acredito que ainda há muito a se explorar, pois assim como existe desvio de dinheiro da educação, saúde, etc, sem dúvida alguma também há desvio no que se refere a incentivos para arte e o eco-design.

Postura Urbana: Ter a esposa como parceira é mais tranquilo ou tem mais pressão? (Renato é casado com Veronica Machado, empreendedora social a frente da ONG Mensageiros da Esperança, Veronica foi nossa entrevista no mês de abril desse ano)
Renato Gomes – Nossos trabalhos se complementam e tê-la como parceira e sempre muito bom. Isso não significa que não temos diferenças, mas sabendo dosar bem as ações e respeitarmos os limites do outro, sempre somos mais fortes quando agimos em conjunto. Sou muito grato por trabalhar ao lado dela, pois sabendo que ela tem como característica um nível de exigência mais alto, também sei que a cada experiencia acabo crescendo muito não só como pessoa mas também como profissional.

Postura Urbana: como você vê a atual cena de arte contemporânea?
Renato Gomes – Estamos em uma era em que temos milhares de recursos a nossa disposição. Isso nos permite explorarmos de forma mais rica tudo a nossa volta. O processo evolutivo da sociedade, o alto consumo, as tecnologias e mídias sociais, tudo isso tem influenciado o cenário da arte moderna e contemporânea e cabe a nós artistas a responsabilidade de pensar o que de bom queremos despertar nos expectadores com a nossa arte, pois cada linguagem pode atingir um público em específico e o que mais percebo estarem carentes são os jovens da nossa atual sociedade.

Postura Urbana: Que conselho daria para quem quer segui carreira nas artes
plásticas?
Renato Gomes – Estude! Explore! Compartilhe! Mas acima de tudo Vivencie!

Trabalhos Realizados pela criar e trabalhos solo de Renato Gomes:

                 
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Renato, sucesso e Parabéns pelo trabalho realizado, o Postura Urbana agradece a entrevista.
Por: JGA
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Empreender é por o sonho em prática!

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Conheci a Veronica na palestra de Mulheres Empreendedoras realizada no Instituto Inovação Sustentável em março desse ano, Instituto esse que ela dirige com afinco, de cara gostei dela e no mesmo dia lhe disse: Tenho um blog e gostaria de te entrevistar, ela de imediato sorriu e disse: Claro.

Então, 20 dias depois, em uma quarta feira, ja no início de abril, passamos uma tarde bem agradável, conversamos sobre trabalho, família, descobri que em comum temos o hábito de ler pelo menos 4 livros ao mesmo tempo e que temos PAVOR de lagartixas(ARGH), descobri que ela pesquisa novos sabores, comanda a oficina de chocolate da DOCE MENSAGEIRO e que não gosta de chocolate, gente ,como assim? (Risos).

Abaixo, confiram a entrevista:

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Verônica Machado 45 anos, casada, dois filhos, empreendedora social.

Profissão: Socióloga e Educadora

Cidade: São Paulo

Postura Urbana: Conte um pouco de sua trajetória, sei que você atua a frente de

vários projetos, o que está em destaque nesse momento?

Veronica Machado: Sim, eu trabalho com capacitação, e meus projetos se baseiam em algumas vertentes:

Instituto Inovação Sustentável – cujo objetivo é fomentar a inclusão social,trabalhar a questão do jovem enquanto cidadão, nosso intuito é gerar impacto voltado ao desenvolvimento humano e social.

ONG Mensageiros da Esperança – desde 1998, investindo em jovens, estimulando suas potencialidades através das atividades socioeducativas usando como principais ferramentas, expressões artístico-culturais e as TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação).

Projeto Mãos e Mentes em Ação – Esse projeto foi criado para que as diversas áreas de atendimento da ONG, pudessem ser focadas e melhor direcionadas, permitindo que sonhos, ideias e propostas saíssem do papel, e mãos habilidosas entrassem em ação, por isso o nome Mãos e Mentes em Ação. Trabalhamos esses enfoques: Jovens, Mulheres, Deficientes, Educadores Sociais e Comunidades das periferias de São Paulo.

Criar e Criar Art Design – É a parte artística do negócio, executamos serviços de cenografia e decoração, com aproveitamento de garrafas pet e materiais reciclados, também logotipamos camisetas. Essa vertente é gerenciada pelo Renato Gomes(meu marido)

DOCE MENSAGEIRO – Oficina de Chocolates , é um Negocio Social, que possibilita a ajuda e transformação da realidade de tantos Jovens e Mulheres das Periferias de São Paulo.

Trufas , bombons, e sazonalmente Ovos de Páscoa são feitos com foco na sustentabilidade dos nossos projetos sociais e esse é um projeto de geração de renda bem interessante, pois capacita jovens e mulheres e os coloca como captadores de renda para seu sustento e de suas famílias,também realizamos café da manhã in company. Doce Mensageiro, um jeito gostoso de empoderar!!!

Além disso o Instituto realiza regularmente núcleo de palestras e possui bazar itinerante para angariar fundos.

Colégio Nova Educação – Projeto com um novo formato educacional, acreditando na habilidade humana de reconhecer-se, fomentar conhecimento com objetividade , instruir na intenção de reconhecer-se enquanto cidadão.

Postura Urbana: E sobre seu projeto Educacional? Como surgiu essa ideia?

Veronica Machado: O colégio nasceu da necessidade que percebi de reformular nosso formato de ensino atual, essa sala de aula tradicional, com uma carteira atrás da outra é ultrapassado, meu modelo de ensino é participativo, é preciso não só trabalhar a parte do conhecimento, mas também a parte humana do aluno, saber de fato quem ele é , sua história, suas perspectivas. Para Bauman(sociólogo polonês), existem conexões sociais potenciais na sociedade contemporânea, nesta era comumente conhecida como pós-modernidade,sobre a angústia que reina nos sentimentos humanos, emoção despertada pela pressa, a insatisfação está, portanto, constantemente presente na esfera da afetividade humana.

O projeto está em stand by por enquanto, estamos analisando novas possibilidades de ensino o que foi feito, teve um resultado positivo, ouvi isso de pais, de alunos, e de professores, a previsão é que em 2017,2018 possamos retomar as atividades. Quero um colégio com proposta inovadora de acesso a periferia.

Postura Urbana: Você tem algum contato com a política para elaboração desse projeto?

Veronica Machado: Depois de muito resistir, confesso que estou namorando alguns políticos que tem foco na educação, não há nada fechado, mas estou estudando as diretrizes políticas que se baseiam na Educação, acredito que somente a Educação tem poder de mudança, não existe política sem educação, e apesar do quadro político atual não ter uma imagem positiva, creio que há políticos honestos fazendo sua parte, é por esse caminho que quero enveredar.

Postura Urbana: E sobre o empreendedorismo? Seu interesse em trabalhar despertando o empreendedorismo das mulheres de comunidades? Como se deu isso? Você é empreendedora, imagino eu, que tenha se baseado na própria história.

Veronica Machado: Eu ja era empreendedora e nem me dava conta disso, em 2010, fiz um curso de empreendedorismo voltado para mulheres na Fundação Getúlio Vargas, lá conheci muitas mulheres, muitas hisórias, resolvi levar para a mulher da periferia um pouco do que aprendi,incentivar essa mulher a levar adiante o seu negócio, porque na periferia o que mais se tem é mulher empreendedora, uma faz bolo, outra artesanato, outra vende cosmético, ajudam em casa, muitas vezes o marido não consegue bancar a casa sozinho pois ganha pouco, e lá está ela, a mulher perseverando, isso é empreender, mas o que elas não sabem é que tem potencial pra irem adiante, e muitas vezes, são desmotivadas pelos próprios maridos, namorados, companheiros, pelos filhos, pela família de uma maneira geral, é preciso trabalhar a capacidade dessa mulher em crer em si mesma, levantar sua auto estima; mostrar a ela que deve ter antes da independência financeira a independência emocional, falo isso por mim, pois no passado ja estive em uma relação onde eu era dependente emocionalmente. Outra questão é trabalhar a imagem da mulher negra perante a sociedade.

Postura Urbana: E como é trabalhar com o marido, como essa parceria funciona? Qual a vantagem e a desvantagem?

Veronica Machado: Eu e o Renato temos uma ótima conexão, ele veio trabalhar no Instituto e depois nos envolvemos afetivamente, nossa principal questão é tempo, pra ele tudo é para “amanhã”, pra mim tudo é para “ontem”, tentamos nos equilibrar nisso e quando chegamos juntos no “hoje” é maravilhoso, acho que a desvantagem é levar assuntos de trabalho para casa, muitas vezes estamos na cama conversando sobre trabalho, daí geralmente ele me dá um toque: Verônica estamos em casa(risos).

Postura Urbana: Como é feito o contato com as empresas, as parcerias profissionais, como vocês trabalham a parte financeira da ONG?

Veronica Machado: Eu cuido dessa parte de relacionamento e parceria, o Renato cuida da parte artística, estamos a procura de um representante para estruturarmos com mais objetividade o lado comercial do negócio, recebemos a doação de uma empresa e temos pessoas físicas que contribuem também, mas a venda de chocolate, os trabalhos cenográficos e os bazares itinerantes é que nos sustentam.

Postura Urbana: E o que você faz para extravazar? Como você se distrai? O que gosta de fazer?

Veronica Machado: Eu sou uma pessoa muito urbana, gosto de São Paulo, dessa correria, desse agito, fim do ano estive na praia com a família, foram 14 dias que fiquei entediada(risos), nos primeiros dias saía pra tomar sorvete, dar uma volta, mas logo senti falta da minha rotina, também cozinhei, fui a tia Ana da cozinha pra galera da casa(risos), mas mesmo assim, pensei em trabalho. Gosto de música, de boa música,boa música pra mim,( MPB, Jazz , Blues), gosto de livros, leio 4 livros ao mesmo tempo, gosto de estar com a família, chegar em casa a tempo de ver TV com meus filhos, gosto de conversar com eles, saber o que fizeram durante o dia, amo lecionar, a sala de aula é onde consigo extravazar minha energia.

Postura Urbana: Seu trabalho é extenso , mas você tem uma predileção pelo jovem, por quê?

Veronica Machado: Desde a morte de meu irmão caçula em 1998, ele tinha apenas 14 anos, percebi que havia muito a ser feito, ele foi assasssinado por um jovem da mesma idade, então juntamente com um grupo que ja tinha, resolvi trabalhar com esse público, fui pesquisar a periferia, o que tinha de fato nela, o porque de tanta violência? O porque de tanta barreira? Daí descobri que na favela havia potencialidade e sonho, através disso percebi de fato que Educação é o que eu queria , e então, comecei educando e mostrando ao jovem da periferia, que por mais que fossem pobres e que por mais que alguns fossem sem objetivos, a vida poderia lhes reservar grandes conquitas, acredito que a redução da maioridade penal não é o caminho, o caminho sempre é a EDUCAÇÃO. Quebrar essa dificuldade de comunicação afetiva, e novamente citando Bauman, acredito que trabalhar a construção das relações humanas, e não se basear no amor líquido, vivenciado em um universo marcado pelos laços fluidos, que não permanecem, não se estreitam.

Postura Urbana: E quem é a Veronica Machado para a Veronica? Como você se define?

Veronica Machado: A Veronica é uma mulher batalhadora, guerreira, feliz, sou sonhadora, tenho ainda muita coisa a fazer, muitas metas a serem alcançadas, penso em daqui a 2 anos ja estar com o Colégio em funcionamento e em 5 anos quero poder ganhar o mundo, viajar, por a mochila nas costas, descobrir lugares e pessoas, ampliar minha rede de relacionamentos, poder agregar cada vez mais ideais positivos para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Postura Urbana: E a Veronica tem algum medo?

Veronica Machado: Sim, tenho, tenho medo de perder as pessoas que amo, tenho medo de não ter auto-controle e deixar com me minha ira me domine. Venho trabalhando muito a questão da gratidão, muitas vezes é difícil não se indignar, não sentir raiva. Mas acredito que a Gratidão é um caminho que nos leva até o amor.

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Veronica, o Postura Urbana agradece a entrevista, lhe deseja Sucesso! Gratidão!!!

Quer saber um pouco mais?

Acesse:

http://ongmensageirosdaesperanca.blogspot.com.br/

Assista: Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=4zZ1nWaiFqY