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Rosangela Rubbo,Artes Manuais, Moda e Consumo Consciente!

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Rosangela Rubbo – empreendedora, artesã, modelista.

Cidade: Campinas -SP

Postura Urbana – Como começou seu envolvimento com a moda?

Rosangela Rubbo –  Com a moda especificamente eu comecei quando fui para a faculdade de designer de moda e vi que tudo aquilo que eu tinha aprendido numa vida toda (fui fazer faculdade de moda quando eu já tinha 50 anos) Percebi que a costura, o patchwork, o artesanal de uma forma geral era muito presente na moda e se valorizando cada vez mais. Fiquei encantada e resolvi trabalhar para que as atividades manuais fossem cada vez mais valorizadas

Postura Urbana – Defina moda.

Rosangela Rubbo –  Moda é a expressão cultural de um povo, é a forma como falamos do nosso mundo, das nossas raízes. Mesmo que ela esteja muito globalizada sempre haverá um toque local causando a diferença.

Postura Urbana – O que te inspira?

Rosangela Rubbo –  A mulher me inspira, com tanta luta para libertá-la de amarras, gosto de mostrar que aquilo que outrora era sinal de submissão, hoje pode ser motivo de emponderamento e ao mesmo tempo, trás feminilidade e beleza, por que o encantamento com o belo, é a marca da mulher. A mulher é a responsável pelo que de mais belo existe, a vida, então ela nunca deveria afastar-se desta magia.

Postura Urbana – Acha que o conceito de capitalismo consciente é uma tendência passageira?

Rosangela Rubbo –  Não, eu acredito que veio para ficar. É claro que teremos que avançar muito, mas estáa consciência é que permitirá que o capitalismo sobreviva. O capital tem necessidade de expandir-se e só fará isso através de novas frentes de consumidores, de aumento de mercado. Ao mesmo tempo, terá que ser social e ambientalmente  justo pois só assim o planeta e o capitalismo poderão sobreviver.

Postura Urbana – Qual sua visão da moda brasileira?

Rosangela Rubbo –  Apesar de muitas opiniões contrárias, acho a moda brasileira bastante punjante. Temos um DNA que, queiramos ou não, se faz visível na forma como nos vestimos, como usamos acessórios, como decoramos nossas casas, nas nossa construções arquitetônicas, etc.  A produção em si, também é forte, veja quantos pequenos negócios existem na órbita da moda.

Postura Urbana – Sendo o brasileiro um povo criativo por natureza, porque então a necessidade das grandes marcas se basearem tanto na moda que vem de fora, principalmente a europeia?

Rosangela Rubbo –  Eu penso que isso se deve a nossas escolas. Temos muitas escolas, mas este ramo de educação é bastante recente, e , não sei se estou correta, mas acredito que se baseiam em grades de grandes escolas estrangeiras, principalmente França e esta visão é passada para os alunos. Além disto, por ser uma atividade educacional muito recente, os poucos grandes estilistas do século passado, foram ou autodidatas ou se formaram fora, o que não contribuiu para um pensar brasileiro.

Postura Urbana – Pra você qual a importância de resgatar trabalhos manuais?

Rosangela Rubbo –  Como disse é uma luta para emponderamento feminino. As mulheres da minha geração aprenderam muito dos trabalhos manuais e nunca pensaram que isto poderia levá-las a tornarem-se profissionais e garantir-lhes liberdade econômica, consequentemente não ensinaram aos seus filhos. Se pensarmos que com tanta dificuldade que a mulher tem para sobreviver com infinitas jornadas de trabalho a atividade artesanal é um caminho muito bom que consegue conciliar vários deste mundo em que estamos imersas. Além disto, da mulher acho que o trabalho artesanal deveria ser preservado e trabalhado por homens e mulheres, é uma expressão cultural muito importante. Todo mundo tem a memória de uma costureira na infância, dá avó bordando ou tricotando…é nossa história que está aí para ser lembrada e preservada. Por fim, também penso que é uma forma de nos contrapormos a este mundo pós contemporâneo e alucinado, uma forma de nos voltarmos para dentro, pra o belo, para a paz, para o fluir da vida.

Postura Urbana – Qual seu envolvimento com projetos sociais?

Rosangela Rubbo –  Sou apaixonada por projetos sociais. Participei de vários e vejo como um grande caminho para ajudar a eliminação da pobreza, para a melhoria da educação, para a valorização da comunidade e do ser humano. Quando você pensa um projeto social, automaticamente você volta os olhos para uma comunidade específica, para avaliar quais as necessidades daquelas pessoas, o que poderia realmente ajudar, como conseguir empatia…é um olhar diferente, profundo, nunca será superficial. Ok vc pode dizer que algumas pessoas só querem ganhar um dinheiro extra, mas mesmo assim precisa mergulhar neste universo para adequar seu projeto àquelas pessoas especificamente, e isto não se faz sem conhecer.

Postura Urbana – Pra você, o que realmente falta para que o governo de fato

efetive programas de política pública eficientes e constantes?

Rosangela Rubbo –  Investir em educação, um povo com boa educação, com bom repertório, cobra dos seus governantes. Acho que por isto que nunca investiram rsrsrsrsrsr

Postura Urbana – Como surgiu a escola Rubbo?

A escola Rubbo surgiu da minha constatação na faculdade, que as atividades manuais eram muito valorizadas e as pessoas não se davam conta disto. Muita gente que é criativa não se aventura nas artesanias pensando nisto, como um hobby e na verdade isto pode tornar-se um grande negócio ao mesmo tempo que ressignifica todo um passado de memórias que todos nós carregamos.

Postura Urbana – Como Rosangela Rubbo se define?

Rosangela Rubbo –  Uma pessoa inquieta que deseja sempre mais e mais conhecimento, quero difundir cada vez mais o que sei.

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A Rubbo – Escola de Moda e Manualidade está situada na Rua: Santo Anastácio 78

Jardim Nova Europa Campinas
Fone (19) 3278-2107
Cel (19) 9 9795-5965

Ro, o POSTURA URBANA agradece a entrevista, Sucesso!

Imagens e vídeo: Arquivo pessoal

POR :JGA

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Telma Scudeler! Moda, Costura, Empreendedorismo…

Telma Scudeler – Confeccionista
Cidade: Sorocaba -SP
Conheci a Telma em um curso de confecção de bolsas no Senai Ipiranga( bairro aqui de Sampa), isso foi em 2012, moça de sorriso fácil, logo nos aproximamos e tivemos empatia, descobri sua paixão por gatos, ela descobriu o minha paixão por bichos em geral, assim como eu, ela também é sagitariana e não leva desaforo pra casa, daí surgiu uma amizade que perdura té hoje, conheça um pouco da história dela a seguir:
Postura Urbana: Você vem de outra área, como começou a confeccionar bolsas?
Telma Scudeler – Em 2007 quando sai do mercado de trabalho, após longos anos trabalhando nas áreas financeira, comercial e marketing em multi-nacionais e empresas de grande porte no varejo brasileiro; eu sempre amei comprar roupas,  bolsas, sapatos, perfumaria, etc…. coisas que mulheres adoram. E pensava:  “gostaria de confeccionar bolsas”. E pensava: como assim? Se eu nem sei pregar um botão. Foi uma longa jornada, até chegar aqui.
Postura Urbana: Você sempre gostou de moda?
Telma Scudeler – Sim. Sempre gostei de moda, mas nunca segui a moda. Sempre uso peças que me deixam confortável e elegante ao mesmo tempo. É claro que cada ocasião exige um visual adequado. Gosto de usar todos os estilos. Gosto de cores, jeans, vestidos, peças retrô e vintage. Acredito que cada pessoa faz a sua moda. Se você se sente bem como está vestida, é o que importa.
Postura Urbana: Como é seu processo de criação?
Telma Scudeler – No começo não havia “processo de criação”. Eu desmontava peças e refazia, somente para aprendizado. Meu processo de criação começou a existir, após cursos técnicos presenciais e online, onde você começa a adquirir bagagem e começa a definir que linha quer seguir. Hoje eu crio minhas peças baseadas em inspirações. Foco em um tema e minha cabeça começa a viajar. Pode ser um país, coleção de perfumes, um passeio, bolinhas de gude, ecologia… e  por ai vai.

Postura Urbana: Qual a maior dificuldade em manter um negócio próprio?

Telma Scudeler – Hoje só se fala em carga tributária e isso pesa muito. Meu negócio é pequeno e formalizado, então, optei pelo SIMPLES NACIONAL. Meu negócio está dentro do que o governo exige. Pago um único imposto mensal com valor baixo, mas quero crescer, e crescer exige um upgrade também nos impostos.

Postura Urbana: Quando não está trabalhando o que gosta de fazer?

Telma Scudeler – Adoro cozinhar (minha segunda paixão). Amo fazer pães, doces, bolos. É um prazer muito grande quando estou em uma cozinha. Depois de tudo, você reúne a família, amigos e com uma mesa bem farta não há quem resista…kkk… Adoro sair para tomar café com as amigas, cinema, coisas que fazemos cotidianamente.  A compulsão por compras, ficou no passado.

Postura Urbana: Qual seu conselho para quem quer começar a confeccionar bolsas?

Telma Scudeler – Se esse é o seu sonho, vá em frente e não desista. MUUUUUUUUiiiiitttooooosssss obstáculos aparecerão e você será testada por todos eles para saber até onde chega sua força de vontade.  Não conte com a SORTE. Ela quase nunca aparece. Fazer bolsa é um ofício que exige muito capricho e fazer uma peça bem feita, requer muito tempo e paciência. Como uma pessoa exigente que sou com meu trabalho, minhas peças devem estar impecáveis.  Procure cursos profissionalizantes no Brasil ou exterior. Como no começo tudo é difícil para quem não tem experiência, comece com tutoriais espalhados pela internet. Tem muitos modelos bem fáceis de fazer. Frequente feiras e eventos da área como Couro Modas, Francal, entre outras. Afinal, o mercado pede novidades.

Postura Urbana: O que vale a pena e o que deve ser descartado?

Telma Scudeler – Vale a pena investir em você. Faça cursos técnicos profissionalizantes, leia muito sobre o assunto, fique ligado no que o mercado exige. Lá atrás, no comecinho eu pensava: vou gastar dinheiro com cursos caros. Isso se faz necessário, afinal, não é gastar dinheiro como eu pensava e sim, investir em você e conhecimentos. Até aqui tudo valeu a pena, até os meus tombos e erros, porque errei muito por não ter experiencia no começo. Tudo faz parte do aprendizado, pois, acertos e erros são combinações perfeitas para o crescimento e sucesso, tanto pessoal como profissional. O que não te agrega em nada, deve ser descartado.

Postura Urbana: Como Telma Scudeler se autodefine?

Telma Scudeler – Me defino como uma pessoa insistente, persistente e lutadora. Se não tivesse confiança e vontade, nada teria acontecido.  Também me considero muito criativa, aliás, isso vai melhorando com o tempo.

 

Telma é muito talentosa e caprichosa, confiram suas criações:

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Imagens: Arquivo Pessoal

Encomendas e Aulas –  Sigam no Instagram @cantaloabolsas

 

o Postura Urbana agradece a entrevista Tel, SUCESSO!!!

Por JGA

 

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Arte e Empreendedorismo – Marcia Papoti

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Postura Urbana: Você é atriz, como iniciou sua carreira?
Marcia Papoti: Sou. Eu sempre gostei do palco, fiz jazz, ballet clássico quando criança, mas sempre fui tímida. Como gostava de exatas, resolvi cursar engenharia têxtil, mas após algum tempo queria dar uma mudada, estava cansada e resolvi fazer um curso livre de teatro para ver se era isso que eu queria. Ai me apaixonei e não parei mais. Me formei e não parei de estudar e trabalhar.

Postura Urbana: Por que no Brasil viver de teatro não é viável?
Marcia Papoti: As pessoas não dão muito valor a arte aqui. Preferem gastar R$ 30,0 em um bar do que em uma peça. Não temos apoio do governo,as leis de incentivo são tão difíceis de conseguir. Mesmo amigos meus que me pedem pra avisar quando estou em peças, sempre dão uma desculpa e não vão. Já levei várias pessoas ao teatro que nunca tinham ido. Mas fiz parte de uma Cia de teatro musical “Cottal” que levávamos teatro para escola pública, centro cultural, fábrica de Cultura gratuitamente para pessoas que não podem pagar poderem ter acesso a arte, era incrível.

Postura Urbana: Quem são seus atores inspiração?
Marcia Papoti: Gosto muito de Fernanda Montenegro , Glória Pires e Toni Ramos
Postura Urbana: Você é empreendedora, como concilia sua carreira com sua loja?
Marcia Papoti: Na verdade a loja é do meu namorado. Fazemos tudo juntos, ele me incentiva muito, então posso sair pra ir em testes, ensaios e trabalhos como atriz tranquilamente. Mas sempre que não vou estar(na loja), tento adiantar ao máximo ou trabalhar mais tempo, pois amo ser atriz. Quanto a loja, precisamos nos empenhar muito, quando se tem um negócio, pois dependemos de nossa produção e de nossos clientes.

Postura Urbana: Como o atual cenário político interfere em suas atividades profissionais?
Marcia Papoti: Interfere muito, pois com essa crise caem as vendas da loja, as pessoas compram o necessário. Mas sempre criamos um diferencial, fazemos promoções, vamos até a necessidade do cliente, com qualidade e preço justo. O governo não dá apoio, a entrada de produtos chineses é muito facil, com qualidade ruim e preço super baixo, com isso a concorrência fica desleal, mas temos que inovar sempre, manter uma boa qualidade, um preço atraente e não deixar a peteca cair.
Em relação as artes, temos que nos produzir com o pouco que temos, arranjar figurino, cenário,locar um teatro mais barato, criar um texto diferente que atraia as pessoas. Sempre estar ligada nos testes , se aperfeiçoar sempre e correr atrás, pois tem muita gente que entra por indicação.

Postura Urbana: Qual sua área de formação?
Marcia Papoti: Engenharia Têxtil, pós graduada em Marketing e Negócios da Moda, Profissionalizante de Teatro e TV e vários cursos de TV, Cinema, Teatro, Teatro Musical entre outros.

Postura Urbana: Vamos de Quiz?

Marcia Papoti:  Vamos.
P. U – Uma música: Marcia Papoti: Preciso do seu sorriso – Mariana Aydar
P. U –  Um sonho:  Marcia Papoti:  Atuar em novelas
P.U –  Um livro:     Marcia Papoti: Peça e será atendido – autores : Esther e Jerry Hicks
P.U –  Um lugar:    Marcia Papoti:  Buzios

Postura Urbana: O que diria para novos empreendedores e o que diria para novos atores?
Marcia Papoti: Para Empreendedores: Faça um planejamento antes de montar algo, pesquise o local, passe dias no local, veja qual é o público, pesquise sobre o que está faltando no mercado e se aperfeiçoe nisso. Tenha um capital.
Para novos Atores: Estude muito, se jogue em curtas , grupos de teatro, mesmo que tudo seja voluntário. Adquira conhecimento com isso e portfólio. Faça contatos sempre.
Tenha um material fotográfico, envie para agências, produtoras e entre em grupos no facebook de tudo ligado a teatro, tv , áreas que vc queira trabalhar.

Postura Urbana: Como Marcia Papoti se autodefine?
Marcia Papoti:  Persistente.

Imagens de Marcia como Atriz:

Espetáculo: A SuíteIMG-20180429-WA0039

Musical HairIMG-20180429-WA0038

 

Musical Cabaret

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Musical: RentIMG-20180429-WA0036

Portal dos SonhosIMG-20180429-WA0034

Imagens de Marcia em sua Loja:

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Marcia o Postura Urbana agradece a entrevista, Sucesso em sua trajetória!

Imagens: Arquivo Pessoal

Por JGA

 

 

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Jaqueline Rodrigues – Representatividade na Educação

trabalho na porta da sala com alunos no natal

Mulher e ativista da causa pelos direitos da igualdade social, racial e inclusiva, Jaqueline Rodrigues é Pedagoga, reside em São Paulo, prestes a começar seu Mestrado em Pedagogia na PUC, ela nos conta um pouco de sua vivência de luta e sua carreira profissional.

Postura Urbana – Conte sobre sua trajetória profissional:
Jaqueline Rodrigues – Sou professora há apenas 1 ano e meio, mas já trabalho na área há 4 anos, antes de formada trabalhava como estagiaria renumerada, em um órgão da prefeitura de São Paulo, em que olha com carinho para as crianças de inclusão. No primeiro momento se olha para os alunos com alguma dificuldade cognitiva, há formações para esses estagiários mensalmente, no qual levamos o que se passa entre os alunos com essa dificuldade, e com auxílio de mestres na educação ou profissionais da saúde, que sempre nos trazia soluções para nossos obstáculos. Aprendi muito nos dois anos que trabalhei nesse órgão, o que muito me ajuda, hoje, como educadora. Quando formada trabalhei em creches até conseguir entrar na prefeitura de Osasco, como professora PEB I no qual estou há 1 ano. Ainda sou professora seletiva, mas logo creio, serei efetiva.

Postura Urbana – Uma personalidade que você admira( na área política, na área acadêmica ou na literatura)
Jaqueline Rodrigues – Admiro muita gente, mas a que me veio à mente na hora que li a pergunta foi a professora Maria Clara Di Pierro, professora da faculdade de educação da Usp. Em 2016 a conheci pessoalmente quando consegui a muito custo, ser aluna ouvinte dela por um semestre, e conheci essa mente brilhante, que me ensinou muito. Ela tem uma posição segura no que fala, o que me faz querer ser como ela. Ela se preocupa muito com os excluídos e seus livros retratam bem esse sentimento, além do mais, a ouvindo em aula, pude constatar sua indignação, apesar que sutil, na questão.

Postura Urbana – Como você define a situação atual do povo negro? Onde avançamos e onde regredimos?
Jaqueline Rodrigues – Nós estamos ascendendo, a passos lentos, mas estamos alcançando nossos sonhos. Em 2015 em uma reunião de pretos universitários, chamado EECUN, que se realizou na UFRJ por 3 dias, e lá se reuniram 2000 pretos que muito agregou ao meu crescimento. Ali ouvi um dos palestrantes dizer que nós pretos, não podemos apenas parar na primeira graduação, eu já tinha essa ideia em minha mente, mas depois de ouvi-lo fiquei refletindo ainda mais sobre isso, em como nós precisamos nos enriquecer em muitos cursos e não parar pois nossa posição em grandes cargos requer grandes aprendizados, e os excluídos precisam de nós ali, para fazer políticas públicas que os incluem. A meu ver, estamos ainda pouco representados nas políticas públicas, depois de 2014, diminuiu mais ainda nossa representação lá, precisamos de pretos com pulso forte que busquem nossa inclusão em muitos setores.

Postura Urbana – E sobre a posição da mulher negra? Para onde estamos caminhando?
Jaqueline Rodrigues – A mulher preta muito tem se destacado, há várias mulheres por aí que buscam sua posição de guerreira, uma delas que muito admiro é a Djamila Ribeiro, estive em alguns de seus debates e vejo a força da mulher impregnada nela, até sua voz mostra sua força. Ela é um exemplo para muitas guerreiras que estão buscando sua posição no mundo. Toda vez que a ouço, vejo o quanto é importante a representatividade de uma mulher que sabe o que está falando e que mostra o tanto de conhecimento que possui, analiso que quanto mais preparada formos mais nos ouvirão, e estamos nessa busca, vejo muitas de nós em vários cursos de mestrados e doutorados, sabe aquela velha frase dos Panteras Negras? “Vamos nos armar de livros, venceremos com conhecimento”.

Postura Urbana – Porque você acha que é tão difícil para algumas pessoas se assumirem como negra? É uma questão cultural, educacional ou familiar?
Jaqueline Rodrigues – Engraçado que quando comecei minha luta pelos movimentos pretos, ouvi uma preta quase retinta que se via morena, antes de entrar no movimento. Eu olhava para ela e pensava que para mim foi diferente, eu sempre me via preta, mesmo tendo a pele mais clara que a dela e que essa minha visão era por ter sofrido muito por ser preta, um dia aos 15 anos, depois de sofrer um racismo explícito na escola, cheguei em casa chorando escondido e pedi para Deus, com todas as forças de meu ser, que acordasse branca, e em minha ingenuidade acreditei que Deus faria esse “milagre” e acordei frustrada ao constatar que minha pele continuava preta. Vejo que muitos não se veem pretos para não sofrerem tanto, alisam cabelos, passam muitos makes nas faces para branquear e assim conseguirem passar pelo mundo sem cicatrizes. Quando comecei minha transição capilar, minha família olhava consternada, e alguns diziam para eu parar de falar tanto em racismo e alisar meu cabelo de novo que nem preta eu era. Eu sorria, mas minha vontade era chorar de ver tanta ignorância, mas não guardo rancor, apenas entristeço, pois ainda hoje muitos não falam mais no assunto, mas vejo o olhar velado deles ao que digo, procuro não dizer muito, já que na mente de muitos pretos mais claros, é que, quanto mais falamos mais atraímos, como se não falar no assunto fará sumir o racismo existente. Para muitos, tem- se a impressão que depois que começamos a falar, apareceu mais o racismo, mas a verdade é, que ele sempre existiu, nós que fingíamos não existir. Os pretos sofrem mais agressão moral ou física, sofrem mais na posição acadêmica, na educação, na saúde, na perseguição policial e nos genocídios. Dessa forma o racismo é estrutural, ou seja, que faz com quem sofre, e aos que praticam o olhem como normal.

Postura Urbana – Qual a dor e a delícia de ser professora? Qual matéria você leciona?
Jaqueline Rodrigues – A dor de ser professora é ver que falta uma melhor política pública para os excluídos que foram incluídos, mas que de certa forma, não acompanham uma aprendizagem satisfatória, penso que precisam mais cursos para professores se aperfeiçoarem, claro que já existe muitos que buscam seu aperfeiçoamento, mas esses cursos tem que ser constantes, pois a cada dia há mais inclusões e muitos dos quais não temos total conhecimentos, vamos ali meio que pesquisando sozinhas, o melhor caminho a seguir com cada indivíduo. A delícia de lecionar, é ver os olhinhos brilhantes buscando respostas, isso me encanta sempre, cada vez que vejo os olhinhos em minha direção, vejo meus olhos quando busco minhas respostas ao estar em alguma aula, pois toda palestra ou debates que vou ou assisto, busco minhas respostas e meus olhos brilham do mesmo jeito que dos meus alunos, e em cada resposta adquirida, vejo suas posições e falas no que aprenderam, é ainda mais grandioso e prazeroso. Eu sou pedagoga, dessa forma, leciono o básico das principais disciplinas nos 5 primeiros ciclos da educação.

Postura Urbana – E o mestrado da Puc? Um sonho ou uma conquista? Conte como chegou até ele.
Jaqueline Rodrigues – O mestrado foi um sonho que me deu muito prazer em conquistá-lo, há dois anos buscava essa realização, e foi com imensa satisfação que o consegui. Essa conquista é do povo preto, já que foi através de movimentos pretos que se teve cotas nos cursos de mestrado e doutorado da PUC. Foram 3 eliminatórias que me renderam muita dor no estômago e duas noites insones, não por não estar preparada mas pela concorrência, já que se tinha 42 inscritos para 20 vagas. A banca e os concorrentes foram lindas, o que me acrescentou muito. É muito bom entrar em um curso no qual a eliminatória te acrescenta e muito, cada um que falava e as intervenções da banca foram já me abrindo os olhos para muita coisa. Essa nova etapa me trará muita luz além de aprendizado. Minha linha de pesquisa será justamente os excluídos, penso no título “ O trabalho da docência nos desvios de conduta dos alunos”, mas ainda não tive nenhum encontro com minha orientadora, por isso não sei se o título continuará o mesmo, mas a pesquisa que quero fazer é justamente como nós professores, podemos trabalhar a aprendizagem dos alunos, quando eles possuem algum distúrbio, seja agressivo, tímido ou apático, pois encontramos vários sintomas, que fazem com que os alunos não tenham uma aprendizagem satisfatória e isso os frustra, e os fazem cada vez mais distantes de nós professores, quero que minha pesquisa ajude a todos educadores e a mim, mas principalmente aos alunos. A PUC vai ficar preta! No dia que fui assinar minha matrícula, uma de minhas amigas de movimentos, passava pela banca de qualificação de projeto para passar para o último semestre do mestrado e concluir sua pesquisa, e nessa banca, em uma salinha modesta da PUC, havia 9 pretos, além que na banca, havia um preto convidado pela mesma. O coordenador falou o quanto estava maravilhado, de ver que tantos pretos, se reuniam na banca de outra aluna, que nunca havia visto isso em outras bancas, e ainda por cima, ter uma pessoa na banca que ainda nem havia começado o curso, no caso eu. Ele lembrou que quando debatia nas reuniões sobre a inclusão de pretos na PUC, que muitos céticos, torceram narizes dizendo que a qualidade das pesquisas iam cair com nossa chegada, e ele pode ver, que nossa presença na PUC, acrescentou muito, inclusive com nossa presença questionadora na banca dos colegas.

Postura Urbana – Esse ano é ano eleitoral, qual sua posição política frente a São Paulo e frente ao Brasil?
Jaqueline Rodrigues – Sou a favor do governo que está do lado das minorias, ou seja, os pretos, mulheres, homos, crianças, moradores de rua, periféricos, entre outros que são excluídos da sociedade. O que muito me preocupa, é que São Paulo move a economia do Brasil, e parece que esse dado, faz com que o capitalismo o habite e o Mercado preocupado em se manter no topo, não deixará (ou impedirá) que governos que pensam nas minorias voltem ao poder. Sabemos que Brasil não é apenas São Paulo, mas o que este dita, transforma opinião de muitos. Vale aos menos favorecidos saberem bem o que são, e a posição que estão, e observarem os políticos que trabalham, para que sejam melhores. O povo não é preparado para compreender o que é a política, o que os torna, analfabetos políticos, o que os faz, visar apenas os que estão nos cargos mais importantes e esquecer de quem faz as leis. E são estes políticos, que muitos não prestam atenção, é que estão nas assembleias ditando o que é melhor, ou pior para nós.

Postura Urbana – Quem é Jaqueline Rodrigues? Como você se autodefine?
Jaqueline Rodrigues – Não dá para falar sobre quem sou eu, sem antes dizer quem fui. Fui uma criança pobre, preta, que como muitas nesse mundo sofreram, ou sofrem racismo, esse fato me trouxe grandes tormentos e inclusive, me acorrentou em uma redoma e de lá não me sentia capaz de sair.
Essa redoma, por anos, me fez negar quem na verdade eu era, ou seja, uma preta que tinha capacidade de ser quem eu quisesse ser, e lutar para ser, e não uma preta insegura, incapaz e sem sonhos. Felizmente encontrei pessoas que foram me ajudando a tirar as cascas da redoma, até me libertar. Hoje posso dizer, que sou Jaqueline Rodrigues, uma mulher preta, guerreira, com ideais, que foi atrás de seus sonhos, que não se abateu com as derrotas, e sim as usou para fortalecimento, e que venceu, mesmo ainda tendo muito a conquistar, me sinto uma vencedora.

Parabéns por seu engajamento em questões tão relevantes Jaqueline, o Postura Urbana agradece a entrevista e lhe deseja Sucesso!

 

fala sobre empoderamento

encontro no quilombo de Eldorado

encenaçãoa peça infantil com alunos, apresentação para escola

EECUN

manifestação das feministas na usp

Imagens: Arquivo pessoal

 

Por JGA

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Moda e Empreendedorismo por Izabelle Marques

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Izabelle Marques – Administradora – São Paulo – SP

Conheci a Belle no curso de moda inclusiva voltado para o varejo no final de março, logo de cara a achei simpática, não conversamos muito na ocasião, mas no final do curso fiz questão de pegar o contato dela.
Belle nasceu com mielomeningocele, também conhecida como espinha bífida aberta, é uma malformação congênita da coluna vertebral. Por conta disso Belle é cadeirante, mas isso é só um detalhe, sua alegria e sorriso fácil contagiam e conquistam. Prazer em conhecê-la Belle, se joga que talento e carisma você já tem.

Confiram abaixo a entrevista.

Postura Urbana – Como se deu seu interesse pela moda?
Izabelle Marques Joooo. Primeiro gostaria de agradecer muito o convite e o carinho de sempre comigo, dizer que é um prazer participar do seu blog e ter te conhecido. Eu sempre gostei de moda, sempre me interessei, mas o básico de toda pessoa, gostava de roupa, sempre gostei de comprar roupa, mas não entendia, e sempre tive gosto por roupas mais elegantes, mais clássicas, mas nunca levei a sério pois eu pensava: Ah fazer faculdade moda, eu não sei desenhar e costurar e não quero aprender, sempre tive esse pré- conceito com a moda, até que me formei em administração e conheci a moda inclusiva, sou sou cadeirante, tenho mielomeningocele, daí eu achei que podia unir a gestão da administração que tenho pela minha formação, com a moda, então eu comecei a fazer cursos livres na área de moda, e agora não paro mais. Postura Urbana – A recíproca é verdadeira Belle.

Postura Urbana – Como você define moda e como percebe a moda brasileira?
Izabelle MarquesEu defino moda como necessidade, necessidade porque, vamos partir do pressuposto que você se veste, pois precisa se cobrir, precisa se aquecer, da necessidade, vem o desejo por moda, moda é uma maneira de se manifestar, dizer o que você pensa, é um meio de comunicação,informação, como você quer que o outro te enxergue e como você se enxerga, sem mesmo precisar dizer isso com palavras, a moda brasileira está evoluindo, claro, ainda precisa avançar muito, como somos brasileiros nós não desistimos, o brasileiro está evoluindo, está abrindo a cabeça, está lutando por seus ideais e convicções e a moda com certeza é um reflexo disso.

Postura Urbana – Você tem algum estilista inspiração?
Izabelle MarquesTenho dois, a Coco Chanel como minha estilista mais incrível e inspiradora, determinada, que lutava por seu ideais,o mais lindo de sua história, e que não podemos esquecer, embora a chanel hoje, seja uma marca de luxo, de alto luxo, nasceu de uma necessidade, e essa relação se assemelha muito com a moda inclusiva, e isso me inspira demais,tanto a marca,quanto a Gabrielle Chanel. E o outro, é o Armani, Giorgio Armani, por conta da história dele mesmo, no curso de moda inclusiva a Ju Lopes até citou a história dele(não sei se você teve a oportunidade de ter essa aula com ela), ele era muito, muito pobre, e a mãe dele costurava e fazia para ele e o irmão os melhores uniformes, eles andavam muito elegantes e todos achavam que eles eram ricos, e isso só prova que não precisa ser rico, não precisa de dinheiro para ter bom gosto, para ter o melhor, dá pra ser elegante, sendo humilde, e isso eu acho tão lindo, as roupas do Armani são desconstruídas, e isso se assemelha a moda inclusiva de novo, pelo menos na minha opinião, até gostaria de saber sua opinião,pois na moda inclusiva, se desconstrói para construir, e eu acho isso tão lindo, e Armani compartilha disso, tem um vídeo dele, não sei se você já viu, em que ele desconstrói uma jaqueta de couro, é incrível. Postura Urbana – Concordo contigo, também vejo a moda como comunicação, e concordo que a moda inclusiva é desconstruir para construir, é preciso quebrar paradigmas, chega do mais do mesmo. Sim, na minha primeira turma de moda inclusiva, tivemos palestra com a Juliana Lopes e ela falou do Armani, da história dele sempre andar bem vestido na infância apesar de ser de família pobre, concordo com você, acho que a beleza da simplicidade é algo encantador, não é preciso dinheiro para se ter bom gosto, até porque tem muita gente rica que é cafonérrima.

Postura Urbana – Sua formação é Administração, é dela que vem seu interesse pelo empreendedorismo?
Izabelle MarquesSim, minha formação é Administração eu acho que sim, minha visão empreendedora, se é que posso dizer que tenho uma, vem daí. De novo Chanel, eu acho que vem algo intrínseco em mim, desde criança, de uma forma ou de outra eu tive que me virar para pertencer, na escola, me sentir pertencida, ter a sensação de pertencimento que todo ser humano quer, a administração me deu a visão de que eu tenho como empreender e fazer o bem, fazer o social que tanto me brilha os olhos.

Postura Urbana – Você acha que o governo brasileiro desincentiva o empreendedorismo?
Izabelle MarquesNão tenho opinião formada sobre esse assunto.

Postura Urbana – Conte um pouco de seu trabalho como escritora, você é parceira de um blog né?
Izabelle MarquesObrigada pelo escritora, ainda não, mas um dia se Deus quiser, eu adoro escrever , queria na verdade fazer jornalismo, mas desisti, eu tinha 18 anos e aos 18 anos seu ideal vale muito mais, é mais importante, você não pensa em ganhar dinheiro, você quer viver de seus ideais, e pensei, não vou escrever uma coisa em que não acredito, e desanimei do jornalismo por saber que eu teria que me vender, hoje eu penso diferente, não levo tudo a ferro e fogo mas eu sempre amei escrever, sempre escrevi para mim mesma, facebook, essas coisas, e no começo do ano eu reavivei a página força Belle, que foi uma página que fizeram para mim pois eu passei por uma cirurgia muito grave em 2014 e a página era para me dar apoio. O amigo do meu pai que tem uma imobiliária, me convidou para escrever um artigo de tema livre para o blog da imobiliária dele que fica no bairro de Perdizes, e eu escrevi sobre inclusão domiciliar, no sentido de reforma, de arquitetura, eu estava vivendo esse momento, estava reformando o meu quarto que pela primeira vez teve adaptações feitas para mim. E aí ele gostou e eu comecei a escrever com uma certa frequência para o blog dele. E desde então, eu sou parceira desse blog, quando ele me pede eu escrevo e estou adorando, estou pegando um carinho, uma prática cada vez maior e estou aberta, aceito convites.

Postura Urbana – Como surgiu seu hobby por motociclismo?
Izabelle MarquesEntão, o meu pai ele sempre andou de moto, aliás, ele andava de moto quando jovem e quando minha mãe engravidou do meu primeiro irmão, ele vendeu a moto para comprar as coisas do quarto do bebê, enfim. Daí eu e meus irmãos crescemos e no aniversário de 50 anos dele, ele pediu permissão para comprar uma moto para ele, ele voltou a andar de moto e conheceu uma turma super legal, ficaram todos amigos e eu comecei a andar junto, em pequenos percursos até por não ter uma adaptação, só que minha mãe ía no o carro atrás, levando a cadeira, até que no meu aniversário de 18 anos, ele me deu uma moto de presente, onde a garupa é um sofá, então eu conseguia ir tranquilamente, e eu amo andar de moto, amo, a sensação que eu tenho em cima da moto, é quase que inexplicável e ele fez uma carreta onde ele engata a moto e a cadeira vai em cima, minha mãe não precisa mais ir com o carro atrás, levando a cadeira. Daí a gente saí com a moto e com a cadeira, é super bonito.

Postura Urbana – O fato de você ter nascido com mielomeningocele não te impede de fazer o que você gosta, conte como é sua rotina.
Izabelle MarquesNão, claro, não impede mas assim, tudo que eu gosto e faço, algumas coisas eu preciso aprender de forma diferente, mas nunca deixei de fazer nada que eu gostasse por conta da mielo, minha rotina é bem normal, às vezes no meio do caminho, tem uma cirurgia ou outra, mas isso já faz parte da minha rotina. Hoje eu faço home office, ajudo minha mãe nas coisas da casa, trabalho com meu pai quando ele precisa de uma mão, tenho feito uns jobs, tenho estudado muito moda, e estou pensando em prosseguir, tenho uns projetos que vem aí, que eu ainda não posso te adiantar, mas te conto em primeira mão quando tudo der certo, se Deus quiser.

Postura Urbana – Você sempre morou em São Paulo? Quais os pontos positivos e negativos da cidade a seu ver.
Izabelle MarquesSim, sempre morei em São Paulo, sou daqui mesmo, eu amo São Paulo, e o único ponto negativo é acessibilidade, que está crescendo, está evoluindo, mas em passos pequenos, eu adoro, eu adoro a comodidade que São Paulo me dá, de poder fazer qualquer coisa a qualquer hora. Isso é muito bom.

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Um Sonho:
Izabelle MarquesSão tantos, mas eu acho que ver todo mundo, conquistando as coisas que precisam e querem, poder realizar as coisas, não só eu, mas o mundo sabe, é ser feliz no mais amplo sentido da coisa.
Um Livro:
Izabelle MarquesDom Casmurro certeza absoluta!
Uma música:
Izabelle MarquesSão tantas né? Mas uma que tenho ouvido bastante, é, Toda forma de amor do Lulu Santos, gosto das músicas de Tiago Iorc também.
Um Lugar:
Izabelle MarquesMeu quarto!
Um prato:
Izabelle MarquesMeu Deus! Japonês.
O que gosta de fazer nas horas de lazer?
Izabelle MarquesLer, jogar Candy Crush(risos) e assistir séries.
O que faz você perder a paciência?
Izabelle MarquesBurocracia, ver gente que faz de tudo para complicar o que não é complicado, gente que não se abre para ideias novas.
Postura Urbana – Como Izabelle Marques se autodefine?
Izabelle MarquesComo que eu me defino? Ai meu Deus! Acho que teimosa, melhor dizendo, persistente, acho que sou uma romântica incurável e uma otimista incurável também, tenho mania de ver sempre as coisas boas sabe, acho que assim fica mais fácil.

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Belle querida o Postura Urbana agradece a entrevista, Sucesso!!!

Imagens: Arquivo Pessoal.

Por: JGA

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Poetizando com Zé Vicente!!!

 

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José Vicente de Lima, 61 anos de idade, nasceu na zona leste de São Paulo (São Miguel Paulista), trabalha como escriturário na Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Platina PR há 28 anos e não tem formação acadêmica. Se interessou pela arte ainda muito jovem quando percebeu o dom para o desenho a pintura e a escultura, que foram seus passatempos durante muitos anos. Começou a escrever poemas na década de setenta, influenciado pelo estudo dos textos de escritores e poetas nas aulas de português. Vem postando textos nas redes sociais desde 2011 e tem poemas publicados em coletâneas e blogs, mas não tem livro editado até o momento. Colabora com movimentos culturais desde os anos oitenta e faz o resgate de um desses movimentos em uma página da qual tem o domínio (Viva MPA). Por não ter nenhuma pretensão comercial ou artística, pode trabalhar sua criatividade livremente, sem no entanto, descartar a possibilidade de ter parte de sua obra publicada fisicamente num futuro próximo. É também pesquisador de música e amante da fotografia, hoje seus principais passatempos, mas é na poesia que melhor expressa os seus pensamentos, sua filosofia e a sua visão do comportamento humano e dos acontecimentos do mundo atual.(Release escrito pelo próprio Zé).

Zé Vicente é aquele tipo de pessoa que cativa pelo jeito de ser, tem um carinho para com os amigos, é um homem de bem com a vida e escreve coisas lindas.

Quase
Esse quase constante
Deprime,
Mata perspectivas,
Coloca objetivos
À deriva,
Corrói o orgulho,
Muda o sentido do otimismo,
Força a consciência
De que o certo
Nem sempre é ser bom,
E que a sorte
Nunca segue caminho reto.
O caráter,
Figura de retórica,
É lembrado na hipocrisia
E a filosofia
Não permite o riso,
Assim como as contas
Não são pagas
Pela ideologia.
O distraído acha o tesouro
Sem mapa
E o tolo quase sempre
Sente o êxtase do prazer
Enquanto o consciente
Tropeça nas palavras
E é obrigado a questionar
Suas certezas.
As coincidências
Não ajudam os justos
E as sinas, invenções religiosas,
Maquiam o azar
O quase
Sempre à margem do tempo
Insiste em estampar frustrações
E mostrar egos em espelhos
Que não refletem
A vontade da carne
Os tiros pela culatra
Ecoam pelas almas
E as frustrações se multiplicam
Enquanto a vida segue
O caminho entre muros
Não tem retorno
E a verdade reflete o erro.
Quando dá tempo de cansar
Muda-se o lado
Mas sé já for tarde
Cai-se no anonimato
Recolocar as pedras no tabuleiro
É necessário
Mas a vida não é um jogo
Quando foi ver,
O tempo já passou
E nem a esperança da volta
Justifica o que se perdeu. (Zé Vicente 24.06.2013).

A seguir, entrevista:

Postura Urbana – Você gosta de cultura de um modo geral, quais são suas inspirações?
Zé Vicente – Penso que a cultura é um alimento fundamental para a alma e para a evolução do ser humano. Tudo e todos aqueles que de alguma maneira se envolvem na produção desse alimento de forma direta ou não, me inspiram.

Postura Urbana – Qual sua formação?
Zé Vicente – Não tenho formação acadêmica. Apenas O ensino médio.

Postura Urbana – Como começou a fazer poemas?
Zé Vicente – No início dos anos setenta, influenciado pelos professores de português que na época, ensinavam a gramática baseando-se no estudo de textos de poetas e escritores, principalmente brasileiros, me identifiquei com essa arte e comecei a escrever e guardar poemas, que só depois de muitos anos tive coragem de mostrar. Ainda guardo alguns dessa época que até hoje não foram lidos. De 2011 pra cá venho publicando poemas nas redes sociais.

Postura Urbana– Como define seu trabalho?
Zé Vicente – Meu trabalho poético é totalmente livre. O fato de não ter formação acadêmica me dá liberdade para não seguir regras. Eu não componho poemas, nem me preocupo com rimas, regras ou métricas. Só escrevo o que me vem à cabeça nos momentos de inspiração.

Postura Urbana – Quem são seus ídolos na literatura?
Zé Vicente – Eu nunca me permiti idolatrar qualquer ser humano. O que dedico a pessoas que tem talentos especiais em qualquer atividade é a minha admiração e respeito, sejam elas reconhecidas ou não. Fui influenciado por vários poetas e escritores durante toda a minha vida, mas entre os que mais me marcaram estão Augusto dos Anjos, Charles Baudelaire, Machado de Assis e Jorge Amado.

Postura Urbana – Pode-se dizer que um poeta lê de tudo?
Zé Vicente – Depende do sentido. Eu, particularmente penso que não. Para o poeta, banalidades não interessam e é isso que mais se vê nos dias atuais. Pessoas escrevendo coisas idiotas para leitores medíocres. Infelizmente.

Postura Urbana -O que você não Lê de jeito nenhum?
Zé Vicente – Qualquer publicação que acompanhe o dia a dia e a vida de celebridades porque não tenho o menor interesse.

Postura Urbana – Financeiramente falando, você faz parte de algum projeto de incentivo a artistas?
Zé Vicente – Não.

Postura Urbana – Qual sua opinião sobre a lei Rouanet?
Zé Vicente – Uma lei criada com boas intenções, mas que, utilizada por mãos erradas para troca de favores, política e pagamentos indiscriminados, tem hoje o seu nome manchado e dificilmente irá recuperar a credibilidade. A lei em sí, é necessária para o desenvolvimento e incentivo à arte e ao artista desse país.

Postura Urbana – Musicalmente falando, o que massageia seus ouvidos?
Zé Vicente – Meu gosto musical é extenso e variado porque eu pesquiso música desde muito jovem. Existe música boa em quase todos os estilos e eu não discrimino, apesar do meu gosto especial pelo rock, que é o que mais escuto. Para citar nomes, um exemplo do que massageia e sempre massageou meus ouvidos é a banda Jethro Tull, mas tem também Caetano Veloso, Miles Davis, Depeche Mode, Almir Sater entre tantos outros que também tem esse poder mágico.

Postura Urbana -Você acha que a nova geração está alienada por falta de incentivo dos mais velhos e referências, ou por sem vergonhice mesmo?
Zé Vicente – Pra mim, nem uma coisa, nem outra. A alienação da juventude é imposta pelos meios de comunicação que hoje não permitem que haja escolha, e pelas redes sociais que praticamente obrigam o jovem a fazer parte de algum grupo, tentar ser popular e seguir modas passageiras para não serem excluídos. As referências hoje são criadas pela conveniência comercial e os mais velhos são os que ainda resistem enquanto podem.

Postura Urbana – Deixe um conselho para a nova geração.
Zé Vicente – Conselho não, um toque. Pense muito antes de tomar decisões ou fazer qualquer coisa. A vida não permite ensaios e o tempo, impiedoso, irá te cobrar no futuro.

Postura Urbana – Como José Vicente se autodefine ?
Zé Vicente – Uma pessoa inquieta que não se acomoda e que procura viver com dignidade porque acredita que só assim evoluirá espiritualmente.

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Zé, o Postura Urbana a gradece  a entrevista, Positividade e Sucesso!!!

Imagens: Arquivo Pessoal

Por: JGA

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Beto Cruz! Sua voz, seu recado!

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Beto Cruz é um desses garotos de sorriso fácil e Vibe Positiva, me lembro dele criança, empinando pipa na rua, sempre sorridente, cresceu e se tornou um rapaz de muito talento, com muita consciência. Fico feliz de ter contato com ele.Nos encontramos na virada do ano, reforço aqui o desejo de um 2017 cheio de realizações pra você!!!

Salve Betinho, abaixo segue entrevista:

Beto Cruz– músico – São Paulo – SP

Postura Urbana – Você gosta de cultura de um modo geral, quais são suas inspirações?
Beto Cruz – Sim, todas as áreas da cultura me interessam eu me identifico muito. Meu circuito de amizades varia entre artes visuais, artes plásticas e saraus, até chegar nos músicos, acho que essa energia me conduz. Minhas inspirações estão nas coisas simples, no sorriso dos meus filhos, nos dias de sol, nos dias de chuva, no amor, e acredito que a minha inspiração seja na simplicidade da vida.
 Postura Urbana – Como começou a compor?
Beto Cruz –Bom… (Risos) foi um processo que acredito, que eu fui mais escolhido do que eu escolhi a compor, saca? Eu tinha alguns versos escritos guardados, mas nenhum formulava uma música completa, até que um dia eu fechei alguns versos e mostrei a um amigo (Pedro Alves) no caso eu iria pedir pra ele escrever a parte dele em 2012, e a gente iria fechar o que seria a nossa primeira música juntos, ele escreveu e a música nasceu daí em diante, nunca mais parei de compor o nome dela é “Discos de Vinil”.
 Postura Urbana– Como você define seu trabalho?
Beto Cruz – Livre! Mesmo estando dentro de um gênero musical defino minha música livre. Gosto de falar de igual pra igual nas minhas letras, como se eu estivesse conversando com o ouvinte, como eu disse na primeira pergunta, a simplicidade da vida é o que me inspira, gosto de simplicidade e naturalidade.
Postura Urbana – Como surgiu seu primeiro EP?
Beto Cruz – O EP nasceu de algumas letras e batidas produzidas em 2016, trazendo dois remixes das músicas “Saudade” e “Vivenciar”. O nome do EP é Novos Ares e como será meu primeiro trabalho, estou muito feliz pelo progresso e processo produtivo,em breve o trabalho estará disponivel nas plataformas digitais. Farei o CD fisico também!
 Postura Urbana – E como você escolhe seus parceiros?
Beto Cruz – Na música, gosto de fazer parceria com pessoas que eu tenho um vínculo afetivo fora da música, como amigos próximos e familiares, acho que o diálogo musical fica mais natural quando se trabalha assim, O clima fica bem descontraído e leve na criação da música.
 Postura Urbana – Quem são seus ídolos na música?
Beto Cruz – Me inspiro muito na escrita do Djavan, Milton Nascimento, aquela coisa de falar de tudo que está em nossa volta, sobre o vento, amor, lugares de uma forma única. Ouço Baobá Nagô, Bob Marley, Peter Tosh, Black UHURU também me inspira. No rap nacional, gosto muito de ouvir Black Alien, Costa Alves Interiormente, Sabotage, Sombra, Gelleia, no momento ouço isso.
Postura Urbana – Como define a cena musical popular atual? Você acha, que esses modismos são efeito da alienação coletiva?
Beto Cruz –No lado alternativo ainda podemos ouvir coisas boas na música popular, na população percebo que eles são mais vitimas do que alienados, saca?! Acho que a alienação é você ingerir algo sem saber de onde surgiu, eles ingerem e sabem de onde vem. A mídia que se torna um mediador dessas pessoas e acaba doutrinando a seguir apenas um padrão.
Postura Urbana -O que você não escuta de jeito nenhum?
Beto Cruz –Hoje em dia eu me permito ouvir coisas novas e tentar filtrar apenas coisas boas de todos os gêneros musicais, quando eu produzo uma instrumental eu tenho que usar samples de diversos estilos , até formar uma instrumental de rap, acho que aí já quebra o lance de não ouvir outras sonoridades.
 Postura Urbana – Financeiramente falando, você faz parte de algum projeto de incentivo a novos artistas?
Beto Cruz Não faço parte… Mas já participei de alguns projetos com incentivo como atração artística quando o projeto estava sendo executado.
 Postura Urbana -E quanto ao preconceito? Você já foi vítima?
Beto Cruz – Acho que todo cidadão preto na sociedade brasileira já sofreu preconceito, mas a vítima não somos nós, e sim os racistas que sofrem dessa doença. Nós resistimos todos os dias, ocupando lugares, universidades, cargos importantes no trabalho, TV e na Música. Mas como diz o DJ do Racionais MC’S grande KL J “Estamos em território inimigo”.
 Postura Urbana -Você acha que o racismo é desinformação ou mau caratismo mesmo?
Beto Cruz –Desinformação! Infelizmente o racismo no Brasil nasce em todos os meios de comunicação possíveis, eles vendem o padrão europeu e restringem a cultura afro no país. Hoje estamos caminhando em passos largos, mas pense, nós crescemos sendo doutrinados a não gostarmos dos nossos cabelos, traços, cor da pele e a mídia vende apenas o lado da dor da nossa raça, manja? Um estrago psicológico enorme; estamos em um pais que precisamos pesquisar sobre nós mesmos. Na escola local onde deveria ser a base da nossa formação, não falavam sobre Malcolm X, Martin Luther King, Stevie Biko, Milton Santos, Black Panthers, eles não falavam sobre a riqueza africana.
 Postura Urbana – Deixe um conselho para a nova geração.
Beto Cruz – Se informem! Não tenham medo de consumir informação, ler, assistir documentários e vasculhar o passado. Não existe a construção do futuro sem saber sobre os ancestrais, mas não deixe de lado os nossos contemporâneos. Só o conhecimento libertará essa alienação!
Postura Urbana – Como Beto Cruz se autodefine ?
Beto Cruz – BETO CRUZ é família, música, alma de poeta e muita ligação com as africanidades.

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Querido Betinho, o Postura Urbana agradece a entrevista, muita Luz e Sucesso!!!

Imagens: Arquivo Pessoal

Por: JGA